(Imagem gerada por IA) Todos os mercados municipais são barulhentos. Há pessoas conversando, caixas sendo jogadas ao chão, telefones tocando, carrinhos deslizando pelos corredores, eletrodomésticos vibrando, cortadores de carnes e geladeiras preenchendo o ar com seus sons e, às vezes, pode-se ouvir gatos miando. No entanto, no histórico Pike Place Fish Market, o animado mercado de agricultores de Seattle, localizado na parte alta do porto, existe um som especial – único e repleto de diversão. Enquanto caminhava pelo mercado, admirando lindas flores, provando frutas, descobrindo doces locais e absorvendo o aroma característico do mercado, ouvi um grito alto: “Salmon!” Ao mesmo tempo, diversas pessoas se aglomeravam em volta dos balcões com peixes empilhados sobre pedras de gelo. Aproximando-me da peixaria, escutei novamente: “Salmon!”. Nesse instante, observei um peixeiro lançando, bem alto, um peixe para outro colega — escolhido por um cliente —, que o recebia com habilidade. São peixes de aproximadamente 60 centímetros, pesando três quilos. Quanto mais se vende, mais se grita o nome do tipo de peixe que está sendo comprado. É como se fosse um canto uníssono. É impossível não parar por alguns minutos para ver os arremessos em que os peixes não escorregam das mãos dos peixeiros. A sensação é a de que o peixe irá cair durante o percurso de sete metros, ou mesmo, de que escapará da mão do peixeiro que o recebe. Mas ao final, o que se vê é a plateia batendo palmas, fotografando e filmando o êxito da acrobacia. No Pike Place, peixe voando é sinônimo de caixa faturando. Essa tradição divertida iniciou-se nos anos oitenta, para transferir o peixe do balcão para área de embalagem, sem precisar ficar indo e voltando. Esse método transformou-se em um show tão popular que hoje é a principal atração do mercado. Turistas se aglomeram para assistir o tempo todo à energia e à união dos funcionários, que gritam e se divertem. Além de encantar os visitantes, a ideia ajudou a loja a aumentar suas vendas devido à exposição na mídia nacional, e salvou o negócio de uma possível falência. O que parecia uma ideia louca transformou-se em referência de marketing aliado à eficiência operacional, atraindo compradores e promovendo o mercado. É impossível não desejar retornar para rever o espetáculo e saborear um autêntico selvagem Salmão Rei do Alasca, reconhecido como o melhor do mundo. *Marcos Anselmo Ferreira Franco. Administrador de empresas, escritor e membro da Academia Santista de Letras