(Imagem ilustrativa/Pexels) Há situações no relacionamento humano com as quais não podemos nos estressar. Num desses momentos, decidi ser feliz em vez de ter razão. Estou vivendo um período sabático, revendo textos escritos ao longo dos anos. Encontrei um artigo que preparei para um seminário na faculdade. Nele aponto situações a respeito da palidez humana. Sei que minhas premissas podem soar um tanto fatalistas, mas era para explanar sobre o reflexo da nossa incapacidade de reagir às atrocidades do mundo, como as guerras nos lembrando da nossa fragilidade e o poder político, corrompido, interessado apenas em manter seus interesses mesquinhos. Citei a teoria da caverna de Platão. Vivemos em uma caverna, em que as sombras projetadas na parede são tudo o que conhecemos; essas representam as mentiras, manipulações que nos são impostas, enquanto a verdade permanece oculta, fora de nosso alcance. Não podemos esquecer que a mentira vestiu as roupas da verdade. Precisamos tomar cuidado para não compactuar sem antes saber dos fatos. Mesmo que denunciados, é necessário verificar a veracidade. Gabriel Okara, escritor e poeta modernista nascido na Nigéria, escreveu o poema Once Upon a Time, no qual nos remete à perda da inocência e à hipocrisia social: “Era uma vez, filho meu, eles costumavam rir com seus corações e rir com seus olhos; mas agora eles só riem com seus dentes, enquanto seus corações gelam”. O trecho do poema oferece uma reflexão sobre a transformação das relações humanas ao longo do tempo. O que antes era uma época de genuinidade e autenticidade, quando as emoções eram expressas de maneira sincera, agora há a mudança perturbadora, em que o riso torna-se uma máscara desprovida de emoção real. É uma crítica à desumanização na modernidade, um desafio para a reconexão com a autenticidade e a empatia. O que nós, mortais, podemos fazer? O ano novo pode ser um momento para a humanidade reavaliar ações e buscar soluções para os problemas globais. Não sou numerólogo, mas a numerologia sugere que o nove está associado a conclusões, humanitarismo e sabedoria. Em 2025, que soma nove (2+0+2+5), poderemos esperar grandes avanços em questões sociais, ambientais e humanitárias, um ano de reflexões profundas e transformações significativas, em que a cooperação e a empatia serão fundamentais. Que possamos usar a energia do número nove para construir um mundo mais justo e harmonioso, no qual a paz e a solidariedade prevaleçam. Vamos vestir o nosso melhor sorriso e que 2025 seja um ano de crescimento e evolução para todos nós. *Escritor, ativista cultural e diretor de Relações Públicas da Contemporânea – Projetos Culturais