(Alberto Marques/Arquivo AT) Santos se aproxima de seus 479 anos, celebrados em 26 de janeiro, com uma história que reflete abertura, trabalho e inovação. Desde sua fundação, a localização estratégica entre o mar e a serra transformou a cidade em um polo de trocas econômicas e culturais, um ponto de encontro de ideias e movimentos que moldaram sua identidade singular. O ethos santista é uma síntese de liberdade, criatividade e compromisso com a construção de uma sociedade democrática e plural. A cidade é berço de visionários como José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, que simboliza o espírito transformador de Santos. Na cultura, artistas como Patrícia Galvão, a Pagu, e Plínio Marcos mostram como os santistas sempre estiveram na vanguarda da crítica social e da expressão artística, provocando reflexões profundas e necessárias sobre o Brasil. A inovação de Santos se destaca também no urbanismo e no saneamento básico. No início do século 20, Saturnino de Brito idealizou os canais da cidade, revolucionando a engenharia sanitária no Brasil. Sua visão não apenas enfrentou problemas graves de saúde pública, como também transformou Santos em referência de planejamento urbano, refletindo o compromisso com a qualidade de vida de seus moradores. Santos é, acima de tudo, feita de sua gente: trabalhadora, criativa e solidária. O santista encara as dificuldades com um jeito único, uma boa malandragem que mistura jogo de cintura e resiliência. Da ZN à Ponta da Praia, do Porto à Área Continental, na força dos artistas de rua e escolas de samba, a cidade pulsa com uma riqueza cultural e humana inigualável. Exemplos como o portuário Osvaldo Pacheco, que venceu barreiras para se tornar deputado constituinte, mostram como a convivência comunitária e a luta coletiva podem transformar vidas. No entanto, o brilho da cidade contrasta com desafios sociais que persistem. A desigualdade é visível e latente, refletida na coexistência de áreas nobres e bolsões de pobreza. Enfrentar essas diferenças é um compromisso urgente, que exige políticas públicas inclusivas e um olhar atento para a garantia de direitos. Santos também é reconhecida por seu pioneirismo na saúde mental. A intervenção na Casa de Saúde Anchieta, em 1989, marcou o início de uma política antimanicomial que influenciou todo o país. A história de Santos é marcada por uma resistência democrática que se traduz em um compromisso contínuo com a justiça social. Ao longo de quase cinco séculos, Santos consolidou-se como um símbolo de acolhimento, diversidade e inovação. Celebrar seus 479 anos é honrar uma cidade que valoriza suas raízes e enfrenta o futuro com coragem. *Dirigente estadual do PCdoB em São Paulo