(Vanessa Rodrigues/AT) Conhecer pontos de cultura e lazer em Santos nunca foi tão agradável como agora, graças a atividades em campo nas aulas de fotografia da Secretaria de Cultura de Santos. Em uma dessas ações para colocar à prova o que aprendemos e reproduzirmos nossos sentimentos por meio das lentes, pude rever, agora pessoalmente, o Professor W. Besnard — nome recebido em 1967 em homenagem ao primeiro diretor do Instituto da USP —, navio de pesquisa, pioneiro na Antártida e que prestou durante 40 anos serviços à Ciência e ao Brasil, ancorado no Parque Valongo, inaugurado em julho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Professor W. Besnard conduziu pesquisadores e cientistas da USP em diversas explorações em águas nacionais e internacionais, e ainda levou o Brasil à primeira a seis expedições à Antártida, entre 1982 e 1983. Por conta disso, merecidamente posso chamar o nosso navio de Calypso brasileiro! Quem viveu nos áureos anos 90 deve se lembrar do documentarista, oceanógrafo e cineasta francês Jacques-Yves Cousteau, que a bordo do Calypso apresentou ao mundo as belezas marítimas, de uma natureza riquíssima, nas profundezas dos oceanos, em grandiosos documentários produzidos pela equipe em viagens de pesquisa. Cousteau foi um visionário que revolucionou as técnicas de mergulho ao exibir os mistérios e encantos das profundezas marinhas. O documentarista também desenvolveu equipamentos de mergulho mais práticos do que os pesados escafandros, sem contar as modernas máquinas fotográficas e de filmagens subaquáticas, oferecendo as primeiras imagens do mundo submarino. Sobre o professor Wladimir Besnard, me recordo de acompanhar sua trajetória por meio de um amigo de infância, que, diferentemente de minha opção acadêmica, foi tentar a sorte na graduação de Biologia, adentrando em pesquisas científicas. Quando nos encontrávamos, as suas palavras eram sobre o navio, que fez mais de 150 viagens em expedições que trouxeram cerca de 50 mil amostras de organismos marinhos, por meio de pesquisadores brasileiros e noruegueses, já que o navio veio da Noruega. Ele se enchia de orgulho ao falar desse ícone na história da oceanografia brasileira — pois trabalhava na USP e conhecia alguns pesquisadores do programa —, que ocasionou o desenvolvimento de importantes projetos pelo mundo oceânico. Quanta riqueza que passava pelas mãos de pesquisadores e estudantes do ensino em Oceanografia em laboratório avançado. Era tamanha a grandeza apreciada em aulas práticas a bordo, auxiliando estudantes de graduação e pós-graduação do Instituto da USP. A Cidade merece ter ancorada no cais santista uma embarcação dessa magnitude, em processo de reforma para receber, em breve, visitação da população e turistas. Aguardamos com carinho por mais este entretenimento cultural no novo parque, que, aliás, vale a pena ser conferido, local com energia positiva e que oferece gratuitamente, para todas as idades, playground, quadras, jardins, píer, além de um palco para shows e a roda panorâmica equivalente a um prédio de dez andares. Visite! *Míriam Santiago. Jornalista, cronista e contista