[[legacy_image_274556]] Já sabemos que as discussões sobre equidade de gênero devem ocupar cada vez mais espaço nas organizações. Porém, quando se pergunta sobre iniciativas para facilitar o acesso e progressão de carreira das mulheres nas empresas, a resposta vem na forma de estatísticas que mostram uma realidade ainda mais difícil de engolir que é a já conhecida disparidade entre homens e mulheres dentro das corporações. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A inclusão que avança ainda não contempla todas as interseções do que representa “ser mulher”. Gestantes e mães recentes são ainda objeto de grande preconceito e exclusão no mercado de trabalho e, principalmente: a estabilidade do emprego no retorno ao trabalho muitas vezes não é levada a sério. Vamos a alguns números para começar essa conversa? Um estudo da Fundação Getúlio Vargas aponta que 50% das mulheres são demitidas em até dois anos após o fim da licença maternidade. Dados de 2021 do IBGE mostram que apenas 54,6% das mães entre 25 e 49 anos, com filhos até três anos, estão empregadas formalmente. E entre as que estão empregadas, 27% têm medo da demissão por terem se tornado mães, ou seja, no período que sucede à licença-maternidade. Simone de Beauvoir, em 1949, já alertava para a fragilidade dos espaços conquistados pelas mulheres: “Nunca se esqueça que basta uma crise para que os direitos das mulheres sejam questionados. Você terá que manter-se vigilante durante toda a vida”. A filósofa acertou, claro. Basta ver os números das demissões em massa que atingiram o mercado na desaceleração pós-pandemia de acordo com relatório publicado em fevereiro de 2023 pelo Layoffs Brasil. O levantamento mostra que mulheres representavam 59% dos desligamentos, chegando a 71% quando o assunto eram os estágios. Mas, quantas delas são mães ou estavam prestes a ser? O fato de o cuidado invisível com a casa e os filhos ainda ser considerado uma “coisa de mulher” faz com que elas tenham duplas e até triplas jornadas e ainda sejam penalizadas por isso. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou que as mulheres são responsáveis por 75% de todo o trabalho não remunerado. Nas entrevistas de emprego, mulheres são constantemente assediadas com perguntas sobre a maternidade, mesmo que ainda não tenham filhos, enquanto homens nunca são questionados sobre isso, mesmo que já sejam pais de 10 crianças. Então, se ninguém solta a mão de ninguém, por que tantas mães estão fora do mercado de trabalho? Qual o motivo desta diferença de abordagem? Essa é fácil! Socialmente, se sabe que alguém, geralmente uma mulher, se desdobrará para sozinha dar conta dos filhos dessa família. Empregadores que trabalham em consonância com a rede de apoio destas profissionais ganham em redução do turnover e do absenteísmo, melhora na produtividade e na reputação da marca no mercado. A maternidade traz consigo o desenvolvimento de inúmeras habilidades e uma organização que potencializa o trabalho das mães só tem a ganhar. Mães são responsáveis por organizar, planejar, liderar e negociar e é natural que essas expertises se reflitam no exercício da profissão, favorecendo performance e produtividade. Portanto, meu conselho é: não solte a mão das mães que te cercam. Quando elas crescem, elas te levam junto. A reputação da sua marca e os índices ESG agradecem.