(Divulgação/Prefeitura de Santos) Quando pequeno, aos 6 ou 7 anos, a família passeando no Gonzaga me animou a passar a mão na Leoa da praia. Quando cheguei perto, um senhor que passava deu um berro, um urro, sei lá o quê, que quase me mata de susto. Foram noites pensando no animal feroz. Ficou na lembrança da leoa - afinal, não existia o leão tão falado por uma parte da população. Prestei atenção neste animal sempre que passava pelo local. Depois de alguns anos, A Tribuna, em matéria com um especialista dono de circo, esclareceu definitivamente que não era uma leoa. Ponto final. Ficou onça e, por algum motivo, onça parda ou suçuarana. Alguns insistiam que era uma puma. Algum tempo depois voltou-se a discutir isso e, de vez, ficou definido que se tratava de uma suçuarana, onça parda. Essa briga pelo nome era gerada pelas alterações que volta e meia surgiam na classificação e origem das famílias dos felinos. Quando me formei na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e voltei à minha cidade natal, sempre lembrava deste felino com saudades da infância. Parada obrigatória para inúmeros turistas, a história dele, por muitos anos, foi cercada de mistérios. Fazendo um estudo, tudo começa em 1940. A primeira escultura, que de fato representa um leão, foi construída naquela década. Toda em concreto e pintada de branco, ela foi entregue no dia 10 de outubro, encomendada pela Prefeitura de Santos, à época comandada pelo prefeito Cyro de Athayde de Carneiro. O leão é uma obra do artista Sigismundo Fernandes, que foi presidente do Centro Espanhol e Repatriação de Santos e da empresa Labor, que pertencia a ele. Ele foi criado como se estivesse caminhando, com a boca aberta simulando um rugido. O felino vive em área retangular no calçadão do jardim da praia. Estas informações estão nos preciosos registros da Fundação Arquivo e Memória de Santos. A outra escultura não é uma leoa! A suposta leoa, na verdade, foi um trabalho dos alunos das oficinas de escultura do Instituto Escolástica Rosa. Na escultura, o felino está sentado sobre um pedestal próximo à leoa. Porém, na verdade, por muitos anos especulou-se que a escultura seria de uma onça pintada. No ano de 2008, analisei e estudei a fundo esta escultura (da leoa), concluindo se tratar de um jaguar. A conclusão se deu em razão do tamanho da cauda. A cauda de uma leoa tem, em média, de 30 a 50 centímetros, enquanto a do jaguar é maior. A escultura que fica na praia de Santos conta com cauda de 1,2 metro. Portanto, é um jaguar. Apesar de populares, as esculturas não têm valor artístico, pois não foram entalhadas em pedra. São de cimento, aplicadas em um molde. Curiosidades desta cidade maravilhosa chamada Santos. *Médico veterinário, professor universitário e membro da Academia Santista de Letras