Devolução de impostos para famílias de baixa renda faz parte da reforma tributária (Marcello Casal JrAgência Brasil) A reforma tributária no Brasil tem gerado questionamentos sobre seu impacto em diferentes setores. A complexidade do sistema de tributos brasileiro traz perguntas sobre a viabilidade, equilíbrio entre a arrecadação (e um possível aumento) e a competitividade. Os impactos podem ser muitos, inclusive no setor de transportes e logística, que enfrenta desafios devido à complexidade da cadeia e à alta carga tributária. A perda de benefícios fiscais e o aumento de impostos podem forçar mudanças nas estratégias das empresas. Além disso, pode impactar empregos e investimentos. A unificação das tarifas pode eliminar a competitividade entre estados, levando a um aumento nos custos logísticos, especialmente para empresas que dependem de benefícios fiscais regionais, fazendo assim com que as companhias repensem sua estratégia de localização. Além disso, o aumento pode afetar também o custo dos serviços portuários, que são essenciais para o comércio internacional, colocando o Brasil em desvantagem em relação a outros mercados, prejudicando assim sua capacidade de atrair investimentos e de competir no cenário global. Os governos estaduais buscam, por meio de benefícios, atrair a instalação de empresas em seus territórios. Entre eles, os incentivos à redução de até 90% do ICMS para vendas em outros estados, que será extinto com o texto proposto na reforma. O reflexo disso será empresas migrando de sede para estarem estrategicamente mais próximas aos consumidores – e não em locais menos desenvolvidos -, o que pode sobrecarregar grandes centros logísticos, incluindo os urbanos, e deve mudar a dinâmica das cadeias de suprimento e provocar uma reorganização de centros de distribuição e transporte. Sem desoneração, devem diminuir os investimentos das companhias desse segmento e a manutenção de empregos também. A reforma tributária representa uma mudança significativa no cenário. O aumento do tributo para a cadeia logística pode levar a um efeito cascata e os consumidores sentirão o peso disso nos bolsos. Em contrapartida, a simplificação tributária e a modernização do sistema podem abrir caminho para uma maior eficiência. O equilíbrio entre o aumento de tributos e a manutenção da competitividade será essencial para garantir que o setor contribua de maneira significativa para a economia do país. Em 2023, os custos logísticos no Brasil representaram 18,4% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). *Diretor de Operações da Costa Brasil e especialista em logística e gestão da cadeia de suprimentos