(Imagem ilustrativa/FreePik) Não se pode afirmar que a infantilização de adultos seja um fenômeno mundial (embora desconfie disso). Só por esse motivo, essa crônica não ganhou o título de “pandemia de infantilização”. Segundo a neurociência, nas meninas, o cérebro atinge seu tamanho máximo por volta dos 11 anos e meio; e, nos meninos, por volta dos 14 anos e meio. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em ambos os gêneros, a maturidade cerebral plena ocorre por volta dos 25 anos (curiosamente, essa é a idade que meu falecido avô, José Theodosio, mesmo sem conhecimento científico à época, dizia que as pessoas amadureciam ou não). Recentemente, um estudo concluiu que os jovens de 18 anos têm a maturidade que os jovens dos anos 1980 atingiam aos 15 anos. E o cenário é mais preocupante: os adultos que nunca amadurecem. Não me preocupo com a incomum prática de alguns adultos de dormir em berço ou de usar chupetas, fraldas e mamadeiras, o que ganhou o lúdico nome de regressão infantil ou infantilismo, assunto da alçada de psicólogos e psiquiatras, e não de cronistas. Também não me refiro àqueles que querem viver como cachorro, pônei ou unicórnio e, fantasiados de seu animal preferido, latem ou emitem estranhos grunhidos (afinal, qual seria o som emitido por unicórnios?). Testemunhei episódios cotidianos que me levaram a escrever sobre o fenômeno da infantilização de adultos, ainda que confesse não possuir qualquer proposta de solução para essa perigosa realidade social que ameaça o futuro da humanidade. Numa lanchonete, um garoto (aparentando 4 anos), inconformado por ter que compartilhar o refrigerante com o irmão (um pouco mais velho), resolveu exercer sua liberdade de expressão jogando ao chão o copo cheio. Em seguida, resignadamente, o pai adotou a “madura solução” de comprar um refrigerante para cada uma das crianças. Pronto, conflito resolvido; era atendido numa loja de roupas quando a funcionária foi interrompida por um homem aparentando 40 anos: “Você tem cueca do Chewbacca?”. Se o caro leitor não associou o nome à pessoa, não se preocupe. Também não fiz essa conexão imediata. Chewbacca é aquele grande primata da franquia Guerra nas Estrelas; a idade mínima para se candidatar a senador é de 35 anos, mas isso não impediu que, entre 2015 e 2018, o Senado externasse a “maturidade” de seus membros e abolisse o gabinete de número 24 (o gabinete 24 voltou a existir em 2019, distribuído a Rodrigo Pacheco, que ainda não era presidente da Casa). Atualmente, dentre as inúmeras dificuldades enfrentadas por homens e mulheres para manterem um relacionamento afetivo estável, está o fato de, em parte dos casos (talvez, de forma absolutamente inconsciente), homens imaturos buscarem uma segunda mãe e mulheres imaturas buscarem um segundo pai. Ou preocupar-se com esses fragmentos de histórias sobre infantilização de adultos é bobagem de quem está a caminho da “pós-maturidade”? *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel da PM, advogado e escritor