(Reprodução) Hoje acordei lembrando Drummond, um dos meus poetas preferidos. Desde muito jovem iniciei a leitura de seus poemas e, mais tarde, suas crônicas. Com Drummond eu descobri que a poesia não precisa, necessariamente, ter rimas, métrica ou seguir determinado estilo. Isso fez com que eu ousasse escrever, também. Portanto, inspirado em Carlos Drummond de Andrade e em Fernando Pessoa, passei de simples leitor a, também, escritor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Numa das vezes em que estive em Portugal, fui ao Baixo Chiado e sentei ao lado da estátua de Fernando Pessoa e me emocionei. Registrei esse “encontro” com minha câmera fotográfica. Tive com ele uma conversa sem palavras, pois pude, finalmente, estar perto do que representava o grande poeta português que também admiro. Um dia desses fui ao Rio de Janeiro. Estava lá justamente no dia 17 de agosto e lembrei que aquela data marcava os 37 anos da partida de Drummond. Então, caminhando pelo calçadão de Copacabana, me misturando aos cariocas em uma manhã repleta de sol e de mar, fui absorvido pela atmosfera agradável do Rio. Já quase próximo ao Forte de Copacabana, deparei com um banco rodeado de pessoas. Pensei logo que alguma celebridade deveria estar no local. Curioso, cheguei perto e vi alguém sentado. Percebi que era uma estátua de um homem com as pernas cruzadas, segurando um livro nas mãos. Logo, reconheci o poeta Drummond, claro, sua estátua, em tamanho natural. Não pude conter a emoção. Finalmente iria estar lado a lado com o meu ídolo. Aguardei, pois muitas pessoas sentavam naquele banco para fazer imagens de vídeo ou fotos ao lado do poeta, o que eu também queria fazer. Finalmente sentei ao lado de Drummond, ali retratado pelas mãos de um escultor que soube reproduzir o singular vate com maestria. Quando olhei para o seu rosto, parecia que poderíamos iniciar um diálogo. A emoção foi forte demais e eu precisei chorar, de forma contida, mas de alegria. Um prazer enorme manifestou-se em mim. Fiz uma foto com ele, com a representação do poeta Carlos Drummond de Andrade, que escolheu morar no Rio de Janeiro, embora fosse mineiro. Sua estátua foi colocada a poucos metros do prédio onde ele viveu até seus últimos dias, no apartamento 701 da Rua Conselheiro Lafayette, número 60. Ali, ainda sentado, vislumbrei um homem teimosamente prosaico, despido de todo e qualquer traço de vaidade e orgulho diante de sua imensa obra iniciada em Itabira, Minas Gerais, em 1918, ano em que ele publicou seu primeiro poema, Onda, no único exemplar do jornalzinho Maio, feito pelo seu irmão. Se no Baixo Chiado a emoção de encontrar Pessoa foi grande, ver Drummond foi indescritível. Naquele momento, murmurei baixinho um verso de sua autoria, que guardei na memória: “Sou apenas um homem / Um homem pequenino à beira de um rio / Vejo as águas que passam e não as compreendo / ... Sou apenas o sorriso na face de um homem calado.” Parece que ele mesmo estava me dizendo esses versos. Eu apenas os murmurei, emocionado com o repentino e oportuno encontro (ou, talvez, um oportuno reencontro). *Professor, poeta e escritor, membro da Academia Santista de Letras e presidente da Contemporânea – Projetos Culturais