(Imagem ilustrativa/Pexels) Comecei a assistir TV a partir de 1963. Ainda não havia dublagem de filmes e desenhos animados, só com legendas. Ela veio em seguida, com atores famosos emprestando suas vozes aos personagens. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Assisti prazerosamente os desenhos animados da NovelToon e da Harveytoons, daqueles que ao final tinham músicas para a gente acompanhar, com uma bolinha pulando sobre as palavras. Era tudo em inglês e eu não entendia nada, mas fui aprendendo a pronúncia. As estórias eram sempre interessantes, e prendiam a atenção de crianças de adultos. Nem comentarei sobre os desenhos da Disney, verdadeiras obras de arte. Porém, os desenhos que eram veiculados nas matinês de cinemas dos anos de 1940 e 50, depois reproduzidos na TV, não deixavam nada a desejar. Gasparzinho, Andreazinha, Super Mouse, Pica-Pau, Huguinho, Tom & Jerry, Pernalonga e outros tantos eram ótimos e sempre traziam alguma mensagem interessante, subliminar que fosse. Eram, no mínimo, hilários. Os que imitavam orquestras eram particularmente fascinantes, estimulados pelo brilhantismo do Fantasia, da Disney (1940). Dois são particularmente queridos: Pernalonga - Coelho de Sevilha (1950) e Philharmaniacs, da Harveytoons (1953), este que eu procurava há vários anos, e finalmente encontrei, no YouTube. Os anos 1960 trouxeram inovações em todos os sentidos, sobretudo por parte dos Estúdios Hanna-Barbera. Desenhos que eram assistidos por toda a família, com personagens fantásticos, retratando situações sociais da época, nos EUA, bem entendidas. O curioso é que a dublagem trazia os cenários para o Brasil: Nova Iorque virava São Paulo. Dom Pixote, Leão da Montanha, Zé Colmeia, Maguila, Pepe Legal, Matracatrica, Os Flintstones, Os Jetsons… Assistia todos e muitos mais! Johnny Quest era um de meus favoritos, com enredos muito bem elaborados, que incluíam viagens pelo mundo, temas científicos e, até, políticos. E nem só de desenhos viviam as crianças de então: também havia as séries de animação com marionetes e maquetes perfeitas do Supermarionation, da APF, inglesa. Assisti Fireball XL5, Stingray, Thunderbirds, Joe 90 e Capitão Escarlate. Soube, recentemente, que uma das primeiras produções desse estúdio foi Super Car. A criatividade, os modelos reduzidos e as ações eram extremamente realistas. Os desenhos instigavam a curiosidade por ciência, abordavam fatos históricos e do cotidiano, inclusive comportamentais, sempre com conclusões positivas, sem pieguice ou preocupação com o que hoje chamam de “politicamente correto”. Nos anos de 1970, Hanna-Barbera se encarregou de estragar o que tinha de bom, caso de A Arca do Zé Colmeia, destruição coletiva de todos os personagens. Ainda há bons desenhos atualmente, mas não lembram nem de longe a qualidade dos enredos e personagens dos das décadas de 1960 e anteriores. O realismo das imagens, com expressões e movimentos quase humanos, chegou a preocupar atores, como foi o caso de Final Fantasy - Spirits Within (2001). A realidade virtual permite sequências extraordinárias, porém, às vezes isso vira lugar-comum, mais do mesmo, um festival de explosões e efeitos visuais que nem sempre agregam valor ao roteiro. Coisas esquecíveis logo após vistas, ou que, ao contrário de obras clássicas ou “cults”, nunca serão revisitadas. A tecnologia agregou valor às produções artísticas, sem dúvida. No entanto, a questão autoral foi se perdendo, com os roteiros e personagens perdendo protagonismo. Há boas, mas raras exceções, o que justifica uma frase que ouvi num filme recente, no qual uma mulher, ao ver o desânimo de uma amiga, recomendou que ela fosse assistir um filme antigo. Faço isso com certa frequência, não por desânimo, mas pelo prazer de ver que boas coisas jamais envelhecem.