(Pixabay) Dor nas costas e artrites são, de longe, as principais causas de dor crônica. A primeira atitude, geralmente, é recorrer a analgésicos e anti-inflamatórios, muitas vezes de forma excessiva e sem orientação médica, como uma tentativa de automedicação. A idade é um fator complicador, com a famosa “idade do condor”: com dor aqui, dor ali. Os médicos sempre orientam seus pacientes a manterem uma vida ativa, visando à prevenção ou, pelo menos, à mitigação dessas dores. Não por acaso, pratico educação física regularmente. Não que eu estude as leis de Newton - não é dessa física que estou me referindo; quero dizer educação física no sentido de educação corporal, como ginástica, que faço, ou tento fazer, pelo menos três vezes por semana. Também, hoje em dia, nem se fala mais em ginástica; fala-se em treinamento - e com personal trainer. Ficou mais chique, ainda mais se você estiver com a roupa da moda e carregar uma garrafinha d’água, daquelas que mantêm a água gelada por dias. Chiquérrimo! Tudo tem sua moda. Até quem está fora de moda tem seu charme e contribui para criar um estilo pessoal. Convenhamos, não é que eu não goste de fazer ginástica. Eu simplesmente odeio. Não é porque é saudável, politicamente correto, ou sei lá o que, que eu seja obrigado a gostar. Faço exercícios regulares por obrigação, assim como tenho que beber água, ou melhor, um remédio amargo. A idade chegou e não me cabe mais outra alternativa além de fazer exercício - também tenho meu personal trainer, mas ainda não comprei uma garrafinha, e a roupa que vou treinar não passa de um short e uma camiseta velha. Além disso, leio um livro e escrevo pelo menos uma crônica por semana; essas são as atividades que mais me agradam. Como médico, venho alertando e prevenindo a dor crônica por meio da prática regular de exercícios. Quanto à crônica como estilo literário, tenho me dedicado a ela o máximo que posso, pois escrever me dá imenso prazer. Textos curtos, simples, com linguagem direta e que abordam o nosso cotidiano atraem mais leitores em um país onde a leitura tem se tornado cada vez mais negligenciada, como demonstrou uma pesquisa que revela que apenas 16% dos brasileiros acima de 18 anos compraram livros nos últimos 12 meses, um problema que deveria, esse sim, ser considerado de segurança nacional. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em novembro, indica que 53% da população não leu sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Não, meus amigos, não desistam de mim; não me deixem só. Tá certo que não sou um Rubem Braga, um Carlos Drummond de Andrade, e, muito menos, um Machado de Assis. A crônica dor nas costas, eu já resolvi; mas a crônica literária que escrevo, com alegria e muito prazer, depende de vocês lerem. Me leiam, e, ao contrário da outra, não me deixem acabar com essas. *Médico