(AdobeStock) Para que o capitalismo funcione, é essencial seguir um mandamento básico: os lucros da produção devem ser reinvestidos no aumento da produção! O capitalismo diferencia capital de riqueza. O capital é composto por dinheiro, bens e recursos investidos no desenvolvimento. Já a riqueza, por sua vez, pode ser enterrada ou desperdiçada em atividades improdutivas. Um faraó que investe em uma pirâmide ou um pirata que enterra moedas numa ilha não são capitalistas. Mas um trabalhador que reinveste parte de sua renda na bolsa de valores, sim. A ideia de que ‘os lucros devem ser reinvestidos’ pode parecer trivial hoje, mas ao longo da história era algo raro. Em sociedades pré-modernas, acreditava-se que a produção deveria permanecer estável. Nobres medievais seguiam uma ética de consumo ostensivo, gastando suas receitas em torneios, palácios e guerras. Infelizmente, essa visão persiste em muitos países atuais, onde governantes populistas utilizam recursos do estado para distribuir benefícios sociais, muitas vezes como uma estratégia eleitoreira, em vez de incentivar o investimento produtivo. Isso se reflete no ditado ‘dar o peixe em vez de ensinar a pescar’. O desenvolvimento só ocorre com investimentos que ampliam a produção, seja por meio da construção de fábricas ou outros imóveis, pesquisas científicas, criação de novos produtos, de obras de arte ou de infraestrutura. Esses investimentos aumentam a produtividade e, naturalmente, os lucros. A objeção de que com isso ‘os ricos ficam mais ricos’ não faz sentido; assim como a obesidade de uma pessoa não causa a fome de outra, o enriquecimento de alguns não significa o empobrecimento de outros. Para que o círculo virtuoso do capitalismo funcione, é fundamental que os ricos reinvistam seus lucros, gerando novos empregos, em vez de desperdiçá-los. Se os recursos forem apenas acumulados, como faz o Tio Patinhas, que guarda seu dinheiro em um cofre e só o tira de lá para contar as moedas, o ciclo se quebra. Novos produtos podem ser produzidos sem que os produtos antigos desapareçam. Por exemplo, uma nova padaria especializada em bolos de chocolate pode coexistir com as padarias tradicionais sem que estas fechem; todos passariam a consumir mais e diversificar seus gostos. Enfim, o capitalismo pode funcionar de forma eficiente e gerar crescimento econômico quando segue seu princípio fundamental de reinvestimento dos lucros no desenvolvimento. O desafio está em evitar que os recursos sejam desviados para atividades que impeçam o desenvolvimento, seja por meio de práticas governamentais que promovam apenas consumo, ou pela acumulação estéril de riqueza. Ao priorizar investimentos que ampliem a capacidade produtiva e gerem novos empregos, o ciclo virtuoso do capitalismo se fortalece, beneficiando não apenas os investidores, mas a sociedade como um todo, sem necessariamente criar desigualdades insuperáveis. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo, consultor