( Alexsander Ferraz/AT ) Fui vítima, há poucos dias, de golpe realizado por quadrilha profissional especializada em fraudes em transações bancárias. Poupo o leitor dos detalhes, mas o fato é que se tornou frequente e disseminada a prática de ligações telefônicas informando clientes de transações suspeitas e orientando-os a realizar as contestações, que acabam por se tornar transferências aos golpistas. Tudo isso foi facilitado ao extremo pelo Pix, que realiza transações instantâneas e quase sempre impossíveis de serem canceladas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Não pretendo negar o avanço tecnológico que trouxe, é evidente, facilidades e comodidade a todos nós. Já tive cartões de crédito clonados, mas nem por isso deixei de utilizá-los. Faço pagamentos, transferências e investimentos pela internet, com tranquilidade e me sinto seguro ao fazê-los. Os golpes telefônicos tornaram-se rotina. Há variedade nas abordagens, mas eles resultam, se consumados, em prejuízos significativos para as vítimas. As campanhas de esclarecimento a respeito são importantes e necessárias, mas jamais darão conta do problema, até porque os criminosos variam táticas e estratégias, e mostram-se cada vez mais profissionais. São calmos e tranquilos e tentam, o tempo todo, transmitir segurança àqueles que são abordados. Há, entretanto, omissão quanto ao problema. Dadas as dimensões que o tema assumiu, atingindo milhares de pessoas todos os dias, é preciso agir. As instituições bancárias limitam-se a alertar os clientes; quando os golpes acontecem, é comum a negativa de ressarcimento, não importando o tempo de relacionamento, o volume de negócios e detalhes do ocorrido. Os jornais noticiam casos dramáticos de pessoas que perderam grandes quantias nos golpes e são obrigadas, diante da recusa dos bancos, a recorrer à Justiça para reaver os prejuízos. Isso costuma acontecer, mas o tempo é longo, e várias vítimas ficam em situação muito difícil durante a tramitação dos processos. Apesar dos julgamentos desfavoráveis, a atitude dos bancos não muda: continuam agindo de modo insensível, frio e distante. Não há empenho em investigar esses crimes, e punir os responsáveis, que operam em quadrilhas. No meu caso – como em de todos os que são vítimas dos golpes – há o número do telefone de onde foi originada a ligação que provocou a fraude, e dados de quem recebeu a transferência: nome, CPF, agência e conta na qual foi creditado o valor correspondente. É perfeitamente possível, então, tentar identificar tais pessoas e desbaratar tais operações e grupos. Não creio que essa seja uma providência usual. Muitas das vítimas sequer registram Boletins de Ocorrência, um número muito menor ainda pede a instauração de inquérito policial para apurar o crime. E é forçoso reconhecer que a polícia não dispõe de recursos humanos e tecnológicos para enfrentar, como seria desejado, a questão. É preciso mudar esse quadro. As fraudes e golpes continuarão acontecendo, em ritmo frenético, e isso acontece não apenas por meio de ligações telefônicas, mas também, e principalmente, na internet, com mensagens falsas e captura de dados de pessoas físicas e jurídicas visando desvios e extorsões.