(FreePik) A possibilidade da angústia pela morte diminui, na medida em que tenho um projeto de vida, onde invisto o meu elã vital. Discutir portanto a morte é inútil, porque ela faz parte do curso da nossa trajetória, mas investir na vida está na nossa total possibilidade. Colocar vida nos anos se opõe a colocar anos na vida, e nos anos avançados pode ter mais riqueza, fruto das vivências e experiências, onde se encontra o melhor capital. E é um capital bem mais precioso do que temos na nossa conta bancária, mas no dia a dia prestamos mais atenção nesta do que naquela. Dependendo da nossa história e do capital social acumulado, o morrer poderá se apresentar de forma diferente! O que vamos constatar ao morrer será o sentido que demos a nossa vida. Se foi significativo, finalizaremos realizados, caso contrário, a frustração, a derrota do existir ocorrerá. A generosidade da entrega será a herança primordial que deixaremos. Se a vida teve um projeto de realizações, esse será um grande legado! Nesse sentido, a nossa morte é muito mais significativa, mais importante que o nascer, pois o nascer é só um projeto do vir a ser, enquanto que o morrer é o resultante de uma caminhada de realizações! Finalizo exemplificando através da fruta, que ao amadurecer e cair da árvore está pronta para viver em nós. E nesse sentido, estaremos deixando nossos frutos para serem saboreados pelos nossos filhos e por pessoas da nossa convivência. Daí a importância de se investir, enquanto temos a oportunidade de crescer de forma comunitária e deixar um legado à humanidade. Essas são as melhores marcas que poderemos deixar, e a melhor forma que poderemos ser lembrados, seja na ciência, nas artes e em qualquer das atividades das áreas profissionais e pessoais. Quem fui eu enquanto estive na passagem fugaz? Lembrando Jean Paul Sartre, “a responsabilidade do homem é imensa, porque ele pode ser tornar aquilo que decidir ser”. Isso implica em entender qual a nossa decisão: marcar a nossa existência com contribuições positivas ou morrer como um ser vegetal? Quanto maior consciência tivermos da nossa finitude, maior será o investimento no nosso projeto de vida! É a morte a nos salvar da banalização que conferimos à vida. E como o faremos? Mergulhando no âmago do nosso ser, criando através dos sentimentos vivenciados, esse sentido que é pessoal, original. Ninguém pode criar por nós esse sentido! Termino, lembrando, que fomos feitos pelo Criador para sermos originais, não nos tornemos fotocópias. *Psicólogo e psicoterapeuta na abordagem fenomenológica/existencial