Foto ilustrativa (Alexsander Ferraz/ AT) Em editorial, A Tribuna destacou a arquitetura como importante ativo das cidades. No destaque, o edifício projetado por Décio Tozzi e Luiz Carlos Ramos que abrigou a escola Acácio de Paula Leite Sampaio. A importância do edifício para a história da arquitetura é significativa, como evidenciado pela carta enviada pelo IABsp, por meio do Polo Regional da Baixada Santista e Vale do Ribeira, que destacou o prédio no debate público local e denunciou seu abandono, complementando a manifestação do Docomomo SP, que também reforçou sua relevância. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tombado em 2016, o edifício já foi objeto de vários estudos na área da arquitetura e urbanismo, destacando as soluções criativas de iluminação, a expressão brutalista da estrutura em concreto armado definindo a arquitetura, o modo objetivo e eficaz de resolução do programa, a generosidade dos espaços abertos e a inovação da implantação urbana, ainda mais no contexto de um “eixo escolar” com a vizinha Escola Avelino da Paz Vieira. Mas nesse texto gostaríamos de partir deste edifício para discutir a importância do patrimônio moderno para a cidade. Se a arquitetura é um ativo das cidades, com potencial de atração de turistas interessados no tema, pode-se dizer que a cidade de Santos é destino potencialmente interessante. É detentora de edifícios de diferentes períodos históricos, parte deles protegida contra descaracterização, concentrada no centro histórico. Há, entretanto, duas questões importantes a resolver. A primeira e mais urgente são os cuidados com a obra em si. O concreto aparente é um material que exige cuidados (como qualquer outro) e precisa ser meticulosamente restaurado. As instalações em geral precisam ser recuperadas, bem como atendidas as normativas de acessibilidade e prevenção a sinistros. A contratação da obra já licitada pela Câmara é um passo importante, desde que tendo os projetos atualizados e criteriosamente detalhados, de modo a realizar um restauro digno da importância do edifício. Independente de se tratar de bem tombado, o restauro deve ter projeto minucioso e obra bem feita, compatíveis com a importância do bem – e isso não é sinônimo de aumento de custos. A outra questão é referente ao uso dos espaços. Se a Câmara considera o edifício adequado para a Escola do Legislativo, que efetive esse uso em seu interior. Mas que garanta o livre uso público dos espaços abertos, particularmente do térreo, para além de usos subordinados à escola. A Vila Nova carece de espaços dessa natureza, devido a suas características mistas, de comércio especializado e ainda muitas residências, geralmente de baixa renda, para as quais a nova praça poderia implicar expressivo alívio. Quem sabe possa ainda marcar, na região e em seus futuros visitantes, um outro sentido de modernidade.