(Reprodução) Penso que todos concordamos em reconhecer o norte-americano Ernest Hemingway como um grande escritor. Ele deixou de legado romances, contos e crônicas entre os melhores já publicados até hoje. A condição de escrever bem era semelhante à facilidade para conquistar o coração das mulheres. Ele teve quatro esposas: Hadley, Pauline, Martha e Mary. Além de dezenas de casos amorosos passageiros. Possuía o condenável hábito de abandonar a esposa anterior quando já fincara raízes profundas com uma nova candidata. Ignorava inteiramente a frase romântica de que em mulher não se deve bater nem com uma flor. Alternava gestos carinhosos com espancamentos. Suas mulheres o consideravam petulante, brigão e patologicamente desconfiado. Mas o adoravam. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao ver sua ligação com Ernest naufragar, Pauline ameaçou se jogar da janela de um quarto de hotel em Paris. Uma jovem namorada, Jane, não ficou apenas na ameaça. Após uma briga, fraturou a coluna ao pular da sacada de sua casa. Martha o considerava detestável. Após uma discussão, ele lhe dirigiu insultos pesados e lhe disparou um violento soco no queixo. Um dia antes, ele ficara descontente ao ouvir da companheira o comentário de que não deveria dirigir, tal seu estado de embriaguez. Respondeu com uma série de fortes bofetadas com as costas das mãos. No dia do casamento com Mary, a envergonhou com frases grosseiras na frente dos convidados e a espancou. Ela fez as malas, aos prantos, para ir embora. Utilizando suas costumeiras chantagens emocionais, o marido implorou, de joelhos, que ela ficasse. A companheira sucumbiu e ficou. Ernest abandonou três das suas quatro esposas. Só Martha o deixou falando sozinho, cansada das suas agressões verbais e físicas. Aparentemente, o escritor jamais se recuperou de uma grande rejeição amorosa quando era jovem. Apresentou-se como voluntário para dirigir ambulâncias nos campos da Itália, durante a Primeira Guerra Mundial. Ferido gravemente, foi recolhido a um hospital em Milão. Conheceu a enfermeira norte-americana Agnes von Kurowsky. Apaixonaram-se. E prometeram casar quando voltassem aos Estados Unidos. Ele regressou primeiro. Após alguns meses, ela se apaixonou por um garboso soldado italiano. Em carta a Ernest, Agnes admitiu que os sentimentos dela eram mais de uma mãe do que os de uma namorada. “Não posso ignorar o fato de que você é só um menino, uma criança.” Hemingway ficou arrasado. Desabafou em carta ao grande amigo Bill Horne: “Ela não me ama, Bill. Eu amei muito a Agnes. Era meu ideal. Eu esqueci tudo sobre religião e tudo mais. Eu tinha a Ag para adorar. E ela não me ama agora. Ela era a minha felicidade. O mundo caiu. Eu estou escrevendo com a boca seca e com febre. Eu a amo demais, maldição!”. O amor tinha virado ódio. Imaginou uma vingança. “Faço ardentes votos para que ela, ao regressar, tropece no cais e perca todos os dentes da frente.” *Carlos Conde. Jornalista