( Divulgação ) Tenho observado que existe uma tentativa preocupante de se reescrever a história recente do Brasil e isso tem ocorrido por razões não republicanas. Me faz lembrar de uma piada corrente na antiga União Soviética. Nela, um ouvinte liga para a rádio e pergunta: “É possível prever o futuro?” A resposta: “Sim, sem problemas. Sabemos exatamente como será o futuro. Nosso problema é o passado; este está sempre mudando!”. É verdade que a história que aprendemos nas escolas e nos livros frequentemente contém distorções, muitas vezes escritas por poucos letrados de cada época. Esses autores, influenciados por suas crenças e convicções pessoais, não enfrentaram contestação. No entanto, tentar transformar o século 21, a “era da comunicação”, na “era do negacionismo” é, no mínimo, uma fraude intelectual. Reescrever a história pode ser uma prática perigosa e problemática. Alterar ou omitir fatos históricos, seja por razões políticas, ideológicas ou sociais, leva à distorção da verdade e impede que aprendamos com os erros do passado. Quando a história é manipulada, corre-se o risco de criar uma narrativa falsa que serve aos interesses de alguns, mas que desinforma e engana a maioria. Manter a integridade da história é essencial para preservar a verdade. A história, com todos os seus aspectos positivos e negativos, deve ser contada como realmente aconteceu para que possamos entender plenamente o contexto e as lições aprendidas. A história fornece importantes lições sobre o que deu certo e o que deu errado. Ao reescrevê-la, corremos o risco de esquecer esses aprendizados, o que pode levar à repetição de erros. Negar ou distorcer eventos históricos, especialmente aqueles que envolvem sofrimento e injustiça, desrespeita as vítimas e suas famílias. Reconhecer e lembrar esses eventos é uma forma de honrar aqueles que foram prejudicados. Uma sociedade que aceita seu passado é mais forte e mais capaz de avançar. Admitir e corrigir erros históricos pode levar a mais compreensão, reconciliação e unidade. O estudo da história, com suas falhas e seus triunfos, ajuda a desenvolver uma ética sólida nas gerações futuras. Isso inclui o entendimento de justiça, direitos humanos e responsabilidade social. Distorcer a verdade histórica, definitivamente, é uma forma de negacionismo e de doutrinação e pode prejudicar o desenvolvimento intelectual e moral de uma sociedade. Enfrentar narrativas distorcidas, promovidas por alguns grupos para moldar a opinião pública em benefício próprio, requer um esforço contínuo de jornalistas e de todos os cidadãos comprometidos com a ética. Esse esforço exige paciência, dedicação e, principalmente, compromisso com a verdade. Ao invés de esconder fatos, devemos confrontá-los, analisá-los e aprender com eles para construir um futuro melhor. É essencial trabalhar coletivamente para garantir que as gerações futuras tenham acesso a uma visão precisa e honesta do passado. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor