(Unsplash) A profusão de opções que a modernidade nos oferece, em todos os setores da vida, nos faz acreditar que podemos realizar a escolha perfeita em meio a tudo que buscamos. Escolhendo uma carreira, selecionando um filme, adquirindo um produto, vivenciamos a sensação de que a abundância nos liberta, nos torna senhores de nossas decisões, sem nos darmos conta de que o excesso de alternativas pode – contrariamente – nos aprisionar, aumentar os nossos níveis de ansiedade e também de arrependimento pós-decisão. Em seu livro O Paradoxo da Escolha, o psicólogo Barry Schwartz nos convida a refletir sobre o assunto e nos mostra como o excesso de opções torna-se mais um problema do que uma solução, uma vez que nos leva à paralisia nos momentos de decisão, à frustração e à insatisfação crônica. Na juventude, quando me via às vésperas de uma festa, surgia a inevitável dúvida: “Com qual vestido irei?” O comentário de minha mãe era imediato: “Se tivesse apenas um ou dois, esse problema não existiria”. Sábias palavras, hoje reforçadas por especialistas no assunto. Para Schwartz, aprender a identificar e valorizar o suficiente, em meio a uma quantidade esmagadora de opções, pode reduzir o estresse e aumentar a nossa satisfação pessoal, sem contar a economia de tempo. Dias atrás, após consumir quase duas horas de minha tarde em uma loja de cosméticos, saí de lá com uma sacola repleta de produtos, mas sem a necessária certeza de que havia feito as escolhas adequadas. Em uma de suas palestras, o veterano psicólogo também contou a experiência que vivenciou ao comprar uma nova calça jeans. Ele estava acostumado a usar apenas um tipo de jeans, que era desconfortável e só melhorava depois de algum tempo de uso e de muitas lavagens. Quando foi a uma loja para substitui-la, a vendedora perguntou qual preferia: slim fit, easy fit, relaxed fit, straight fit, skinny fit... Ao que ele prontamente respondeu: “Quero aquela que existia quando só havia um tipo!” O excesso de ofertas nas redes sociais é outro fator que dificulta a decisão de compra, gerando confusão e ansiedade nos consumidores. Uma pesquisa realizada pela Accenture revelou que 74% dos entrevistados desistem de compras devido à publicidade excessiva. Por outro lado, o medo de estar perdendo alguma oportunidade impulsiona decisões rápidas e, muitas vezes, não planejadas. Parece-nos inevitável, portanto, buscarmos a simplicidade e reaprendermos a valorização da qualidade sobre a quantidade. O velho jargão “menos é mais” ainda não perdeu a validade... *Taís Curi. Jornalista e escritora, presidente da Academia Santista de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos