VAR tem tudo para tumultuar o Paulista

Falhas logo na primeira rodada mostram que a operação do sistema é ruim e pode manchar o campeonato

Por: Heitor Ornelas  -  01/03/21  -  20:20
Atualizado em 01/03/21 - 20:33
Problema não está no VAR, e sim na operação do sistema, que em muitos casos só piora a controvérsia
Problema não está no VAR, e sim na operação do sistema, que em muitos casos só piora a controvérsia   Foto: Fernando Torres/CBF

O Campeonato Paulista começou como se fosse a continuação do Brasileiro. Não apenas porque teve início dois dias depois do término do Nacional, mas também porque os problemas com o VAR persistem.


A primeira rodada do Estadual mais importante do País registrou problemas nos jogos São Bento 1 x 2 Mirassol e São Paulo 1 x 1 Botafogo. Em Sorocaba, uma falha técnica impediu que as imagens chegassem ao monitor de campo. O árbitro Matheus Delgado teve que checar (?) um toque de mão pelo rádio com os árbitros que estavam na cabine do VAR.


No Morumbi, o gol do Botafogo não foi checado porque nenhuma das câmeras podia assegurar se Dudu estava em posição legal. O São Paulo também reclamou da anulação de um gol de Pablo. O árbitro de vídeo viu um impedimento de Daniel Alves no início do lance.


A empresa responsável pelo VAR no Paulista é a Hawk-Eye, a mesma que trabalha para a CBF no Brasileiro. Por causa de um problema logístico na importação de equipamentos, a central que comandaria o sistema, em São Paulo, só vai poder operar adequadamente a partir da quarta rodada, o que, para a Federação Paulista, é uma “inconcebível falha da Hawk-Eye”.


Até o ano passado, o Paulista só tinha VAR nas fases eliminatórias. Pelo jeito, era melhor ter continuado assim. Até porque, diante de tudo o que se viu Brasileiro, a chance de haver problemas em jogos com árbitros menos experientes e em estádios acanhados, com mais pontos-cegos, é consideravelmente maior. Se no Brasileiro uma falha no posicionamento das câmeras já colocou o resultado do campeonato em dúvida durante o jogo entre Vasco e Internacional, o que dizer do risco de novos incidentes no Estadual?


O VAR é um recurso válido e positivo. O problema está em quem opera. Uma hora a bola na mão é pênalti; outra hora, não. Uma hora, uma entrada violenta é passível de expulsão; outra hora, jogada semelhante é punida com cartão amarelo. Enquanto os árbitros não atuarem de maneira uniforme, o uso da tecnologia vai ser encarado como problemático. Depois, não adianta Rogério Caboclo, presidente da CBF, tentar defender os juízes dizendo que eles são honestos e que não erram mais do que os árbitros do exterior. O problema não está no caráter, e sim na competência. De quem apita e de quem comanda os árbitros.


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