[[legacy_image_30269]] Com a renúncia do presidente Josep Maria Bartomeu e seus companheiros de diretoria, o Barcelona deu nesta semana o primeiro passo para arrumar a casa e voltar a ser, de fato e de direito, um dos maiores clubes do mundo. Afinal, nos últimos quatro anos, o time estava deitado em berço esplêndido, ancorado na genialidade de Messi e errando sem parar, dentro e fora de campo. A goleada de 8 a 2 sofrida para o Bayern de Munique na última Liga dos Campeões da Europa escancarou que o ciclo de Bartomeu havia acabado. E a quase saída do craque argentino enterrou o resto de dignidade de uma das gestões mais decepcionantes em 121 anos da agremiação. Porém, independentemente de quem for eleito, o trabalho será grande para recolocar tudo nos eixos. O primeiro ponto a ser sanado é dentro das quatro linhas. Em processo de reconstrução, o Barcelona apostou no holandês Ronald Koeman como treinador e ele tenta dar os passos iniciais nesse sentido. Tem vários acertos, alguns erros, mas em geral coleciona bons resultados. Só que é nítido que a referência do clube não está à vontade. E se Messi não se sente bem, a coisa complica. Sem Bartomeu no comando, o camisa 10 pode repensar os planos e desistir de uma saída que já era para ter ocorrido há dois meses, mas até aqui era dada como inevitável em junho de 2021. Se o novo presidente tiver um projeto esportivo de verdade e valorizar o tripé que fez o Barça pular de patamar - aposta na base, estilo de jogo e gestão responsável -, será um avanço. A última administração foi tão danosa que a Champions acabou se tornando um fardo com as eliminações vexatórias em sequência (Roma, Liverpool e Bayern) e, de quebra, um símbolo do desperdício. Como que, com o melhor jogador de sua história no elenco, o Barça consegue ser campeão apenas quatro vezes em 16 anos? É o mesmo de troféus do Real Madrid de seis anos para cá. Um dos principais erros de Bartomeu foi ignorar a base. É óbvio que La Masia não revelará um Xavi e um Iniesta por ano, mas não é possível que, entre tantos garotos que treinam por lá, não haja alguém no mesmo nível que Malcom, Aleix Vidal, Todibo, André Gomes, Denis Suarez, Boateng e Alcacer, entre outras contratações bem questionáveis. Com essas aquisições, de uma vez só foram deixados de lado dois elementos do tripé vencedor: aposta na base e gestão responsável. Os 222 milhões de euros recebidos com a saída de Neymar para o PSG viraram pó e ainda hoje o Barça luta para recuperar o futebol de Dembelé e Philippe Coutinho, que foram contratados a peso de ouro e não renderam o esperado. Como eu ressaltei no início, a renúncia de Bartomeu é um passo inicial, mas não a garantia de que o sol voltará a brilhar na Catalunha. Ela deve vir acompanhada de algo a mais. Não se trata de dar a chave de clube a Messi para que ele mande e desmande, mas que seu pedido por um projeto esportivo ecoe e faça o Barcelona ser respeitado pelo que é, e não pelo que foi.