Quem avisa amigo é

No início do mês, já havia cantado a bola que a Data Fifa e os cartões poderiam ser cruéis com o Santos

Por: Bruno Gutierrez  -  22/11/18  -  03:02
  Foto: Ivan Storti/Santos FC

No dia 8 de novembro, em uma das colunas, já havia alertado o torcedor santista:Data Fifa e cartões podem ser cruéis (e cruciais) para o Santos no Brasileirão. À época, disse que asentão próximas quatro rodadas seriam cruciais para as ambições santistas em 2018 e para o planejamento do clube em 2019. Se Cuca conseguisse atravessar a tormenta deste período sem muitos problemas, o time chegaria com moral para o duelo direto por uma vaga na pré-Libertadores contra o Atlético-MG. Se estas ausências pesassem no elenco, talvez essa partida contra os mineiros poderia ser o balde de água fria em tudo que Cuca e a torcida almejava para o próximo ano.


Não queria dizer isso ao torcedor santista, mas eu avisei... Só que há mais do que desfalques para explicar esta sequência santista. Cuca, e principalmente o elenco santista, tem muito a dizer para quem está na arquibancada extremamente decepcionado com o time.


Em duas semanas, o Alvinegro foi do céu ao inferno. A derrota no clássico, em certo ponto injusta pela reação santista no confronto, foi o início de uma longa queda. Contra a Chapecoense, o início do terror santista. As ausências de Victor Ferraz, Diego Pituca, Luiz Felipe e Gabriel pesaram? Sim. Mas nada que justifique o futebol medonho apresentado pelos comandados de Cuca no Pacaembu.


Dias depois, contra o Flamengo, no Maracanã, o resultado foi "aceitável". Um adversário lutando pelo título, fora de casa, estádio cheio. No entanto, poderia ter sido melhor, principalmente, se Gabriel tivesse acertado a cobrança de pênalti. E olha que, neste confronto, já não contava com Derlis González, Bryan Ruiz e Carlos Sánchez, o cérebro santista.


Aliás, há quem diga que se se o uruguaio estivesse, essa sequência seria outra. Não duvido. A ausência dos estrangeiros foi mais sentida no último domingo (18). A derrota para o América-MG doeu. Doeu no torcedor, doeu no elenco, doeu no técnico, doeu no presidente. Teve reunião dentro do vestiário. Alguns dizem, sem confirmação, que Cuca entregou o boné, mas o mandatário José Carlos Peres não aceitou. O abatimento do treinador era visível. Afinal, o Peixe foi derrotado para o então vice-lanterna, que não vencia havia 11 partidas, virtual rebaixado naquele momento. Pior que isso, foi derrotado sem jogar bola. Sem nem merecer o gol feito por Gabriel. Jogo pavoroso, ao "melhor" estilo era Jair Ventura. O castelo de areia dos sonhos santistas foi enterrado no Independência.


Quatro derrotas seguidas... nem Jair Ventura, que ficou 10 jogos sem vencer no Santos, teve quatro derrotas seguidas. Tem algo muito errado dentro do clube. E não foi somente pelos desfalques em campo. Algo que ficou exposto no rosto de Cuca após a derrota para o Coelho. E refletido no campo em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, e nesta quarta-feira, na Vila Belmiro. A apatia do Peixe no segundo tempo, quando a partida já não valia nada por causa da vitória do Atlético-MG, é imperdoável. A quantidade de erros primários, também.


Como era previsto, o duelo contra o Galo, no sábado, não valerá nada. No máximo, para confirmar a vaga na Copa Sulamericana. É hora de pensar em 2019. Uma faxina, aos moldes da virada de temporada 2009/2010, é necessária. E começará pelo banco. Ao que tudo indica, Cuca não seguirá por motivos de saúde. E Peres, que ganhou um voto de confiança dos torcedores em setembro, não pode, novamente, demorar para escolher um substituto.


Recomeçar não será fácil. Perder peças como o treinador e o artilheiro, Gabriel, é pior ainda. Mas, no meio de tanta tormenta, o Santos costuma a ressurgir. Foi assim em 2002, foi assim em 2010. Que seja assim em 2019.


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