De onde vem o dinheiro?

Sem credibilidade, clubes são questionados sempre que contratam

Por: Alexandre Fernandes  -  16/01/19  -  23:07
  Foto: Alex Ferraz/A Tribuna

O mercado de transferências do futebol brasileiro, neste início de ano, já impressiona pelas negociações milionárias. Mas não é só isso. Impressiona porque vários clubes têm feito contratações vultosas. E aí, a pergunta da moda a cada anúncio de um nome de peso é: de onde vem o dinheiro?


O Flamengo é questionado sobre isso desde 2013, quando a então diretoria recém-eleita iniciou um processo de reorganização de suas finanças. Renegociou dívidas, chegou ao ponto de devolver Vágner Love para o Lokomotiv, da Rússia, porque não tinha mais como pagar as parcelas de sua contratação. Tudo para estar na condição em que se encontra hoje, dando-se ao luxo de pagar R$ 63 milhões por um bom jogador, mas longe de ser craque, como Arrascaeta.


Mesmo com tudo registrado em seus balanços financeiros, e sem processos trabalhistas movidos por atletas nos últimos seis anos, o Flamengo ainda escuta "de onde vem o dinheiro?". Paga pela irresponsabilidade nas gestões anteriores e pela falta de credibilidade dos clubes brasileiros em geral.


Se até Flamengo e Palmeiras, que hoje estão muito bem, são questionados, o que dizer dos clubes cuja saúde financeira preocupa e mesmo assim seguem contratando? Fiquemos só nos paulistas. O Corinthians, por exemplo, vem registrando déficit nos últimos balanços e nem recebe a renda líquida de seus jogos, que vai direto para o fundo criado para pagar a construção de seu estádio. Ainda assim, gastou cerca de R$ 10 milhões para tirar o meia Sornoza do Fluminense.


O Santos é outro que vai mal financeiramente, e o próprio presidente José Carlos Peres não esconde isso de ninguém. Para se ter uma ideia, o clube ainda não pagou a Ponte Preta pelo atacante Felippe Cardoso, que veio no ano passado. E agora contrata o meia Yeferson Soteldo por quase R$ 13 milhões.


O São Paulo, nesta temporada, investiu pesado em reforços, como o atacante Pablo (R$ 26 milhões) e o meia Hernanes (R$ 13 milhões). Esse é o mesmo clube que nos últimos tempos ganhou fama de saco sem fundo porque sempre precisa vender seus jovens valores para terminar o ano no azul.


Agora, todo clube sério tem um Conselho Fiscal que está lá justamente para perguntar de onde vem o dinheiro. Analisa os balanços financeiros e sugere ao Conselho Deliberativo sua aprovação ou reprovação. E todo Conselho Fiscal sério sabe quando um balanço sofreu maquiagem ou não, quando a conta não fecha. E os balanços são divulgados. Estão nos sites dos clubes para quem quiser ver.


O problema, nesses casos, é o de sempre: a impunidade. Dificilmente vemos dirigentes pagarem porque não prestam contas ou porque administram o clube de maneira irresponsável. Esses cartolas perpetuam o vício de gastar o que não têm e deixar as dívidas para o presidente que vier depois.


Só lembrando: este ano, alguns dos principais clubes do Brasil poderão perder o patrocínio da Caixa. Além disso, a partir desta temporada, boa parte da cota de TV do Brasileirão só será paga no segundo semestre. Ou seja, ou os clubes se organizam ou terão de tirar dinheiro sabe-se lá de onde para pagar suas contas.


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