Cadê a punição para as simulações?

Jogadores como Gabigol estão usando e abusando desse recurso e ninguém faz nada

Por: Alexandre Fernandes  -  31/01/19  -  01:58
Atualizado em 31/01/19 - 01:59

Nos últimos anos, ligas, confederações e a própria Fifa têm se mostrado atentas à mania dos jogadores de simularem faltas. Essa atenção, no entanto, não tem se traduzido em punição. E os atletas que se utilizam desse recurso parecem ter carta branca para continuar tentando ludibriar os árbitros.


Um dos que praticam simulação de maneira mais descarada é Gabigol. Só este ano, por seu novo clube, o Flamengo, foram duas dessas em menos de uma semana. Em sua estreia pelo time, no último dia 23, contra o Resende, fingiu ter sido atingido por um adversário a alguns metros da grande área. O árbitro não marcou nada e o jogo, que estava empatado por 1 a 1, seguiu.


Na última terça-feira, o Flamengo já vencia o Boavista por 3 a 1 quando, nos minutos finais da partida, Gabigol simulou ter sofrido pênalti. Ele não conseguiu o que queria, mas saiu no lucro. Se tivesse recebido o cartão amarelo, seria o seu segundo, o que resultaria em expulsão.


Em março de 2016 a Comissão de Arbitragem da CBF enviou documento a árbitros e federações com uma série de orientações, entre elas, a de serem mais rigorosos quanto à simulação de faltas. Mas são raras as ocasiões em que jogadores são punidos com o cartão amarelo. E isso não é privilégio do Brasil.


Na Copa do Mundo do ano passado, na Rússia, falou-se a todo momento do cai-cai de Neymar. Pois bem, sabe quantos cartões o jogador da Seleção Brasileira levou no Mundial por simular faltas? Nenhum. Mas o dado mais estarrecedor nem é esse. Sabe quantos, dos 189 cartões amarelos aplicados durante aquela Copa, foram para punir simulação? Um, recebido pelo sul-coreano Son na partida contra a Alemanha, pela fase de grupos.


Em 2017, a federação inglesa de futebol tomou uma medida drástica para coibir simulações. Quem ludibriasse o árbitro seria suspenso por duas partidas. A primeira punição foi aplicada em outubro daquele ano a um jogador do Carlisle United, clube da quarta divisão do país.


Nos meses seguintes, vários jogadores tiveram a mesma pena por agirem de má-fé, um deles, o meia argentino Lanzini, ex-Fluminense, que defende o West Ham. Tudo bem que na Premier League as simulações não são tão frequentes como aqui, mas se você fizer uma busca rápida de atletas punidos do ano passado para cá, não vai achar tão fácil.


O fato é que já passou da hora de alguém tomar uma providência. A começar pelos próprios árbitros. Afinal, eles são os que mais estão sendo feitos de otários pelos jogadores. Só estarem atentos para não cair nas artimanhas dos atletas não adianta. Se não houver punição, os juízes continuarão tendo de aturar Gabigol e outros se jogando em toda rodada. E até aqueles torcedores que apoiam a vitória a qualquer custo vão pôr a mão na consciência quando começarem a ver atletas desfalcando seus times por simulação.


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