(Vanessa Rodrigues/AT) Sim, esta é a pergunta: você vai votar contra quem neste domingo de segundo turno? Pois há quem sairá de casa não para “votar em” um dos candidatos à Prefeitura de Santos ou de Guarujá. Cada eleitor tem pontos de vista para os quais a eleição de alguém é menos pior do que a vitória da candidatura adversária. E isso não é um problema, desde que a resposta sobre “contra quem votar” esteja acompanhada de reflexões. Quem é de uma dessas cidades sabe o que ela tem e o que deixa de ter. Mas essa visão não pode estar restrita ao próprio bairro ou às localidades mais próximas. Nem mesmo aos preconceitos que cada cidadão guarda. Um bom voto leva em conta não apenas as próprias necessidades, mas o atendimento de demandas de pessoas que não se veem ou que o eleitor não se sente em condições de atender no dia a dia, estejam elas perto ou longe do cotidiano dele. Qual das candidaturas, na visão de quem vota, será mais capaz de direcionar o futuro de um município que não absorve toda a mão de obra que se forma em universidades e que automatiza serviços antes dependentes de pessoas em tempo integral? Rico em termos de arrecadação, mas com bolsões de pobreza onde o acesso a serviços básicos é difícil? Cuja população tem idade acima da média e requer atendimento específico em saúde, locomoção e cidadania? Em Guarujá, onde a existência de núcleos de moradia irregulares sobressai na comparação com outras cidades, qual dos concorrentes seria mais capaz de montar uma equipe de governo que elevasse o nível socioeconômico delas e, por consequência, melhorasse as perspectivas de sua população? Quem parece mais ciente dos problemas de deslocamento, oferta de empregos com remuneração decente, formação profissional de jovens, segurança pública? Ao considerar que, sozinha, uma localidade nada consegue nem mesmo para si, qual das plataformas de campanha apresentadas será mais eficaz na busca de soluções dentro da Região Metropolitana da Baixada Santista? Em conversas com deputados estaduais e federais? Na busca por apoio dos governos Estadual e Federal, com capacidade de abrir gabinetes de secretários e ministros e relações que lhe abram as portas ao governador e ao presidente? É fundamental ter conhecimento disto: o fato de um governante estar perfeitamente alinhado ao Estado e à União não quer dizer grande coisa. A Baixada já teve prefeitos, governador e presidente do mesmo partido, e, nessa época que tinha tudo para ser áurea, a metropolização andou tanto quanto se todos fossem adversários ou, mesmo, inimigos políticos. Serviu mais para manter o emprego de perenes ocupantes de cargos públicos. Mas não basta cobrar de quem concorre a uma prefeitura a tão decantada capacidade de diálogo. O eleitor tem de se encontrar consigo mesmo antes de apertar os dois dígitos de quem escolherá e o botão ‘confirma’. Se quem elege os governantes não for à urna compreendendo a realidade mais do que desejando impedir que alguém ganhe, estará votando contra si mesmo e o lugar onde vive.