(Francisco Arrais/PMS) Santos deverá ter o menor número de candidatos à Prefeitura em 40 anos. Até agora, a três dias do fim do prazo das convenções partidárias, apresentam-se quatro. Se ninguém aparecer de última hora, estará confirmada uma concentração que mostra outro fato: por mais siglas que haja — são 29 —, o poder de atrair votos está restrito a poucos personagens. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Despontam dois, que em ordem alfabética são o prefeito Rogério Santos (Republicanos) e a deputada federal Rosana Valle (PL). Com longa trajetória política, surge a vereadora e ex-prefeita Telma de Souza (PT). E o produtor multimídia e palestrante motivacional Fernando Pinheiro (Avante), que em 2022 teve 30 mil votos para a Câmara Federal, terá conhecida sua capacidade de converter seguidores digitais em eleitores físicos. Nestas quatro décadas seguidas de eleições diretas para prefeito, houve 11 concorrentes em 1984, nove em 1988, cinco em 1992, 1996 e 2000, oito em 2004, cinco em 2008, nove em 2012, oito em 2016 e, o recorde, 16 em 2020. Antes da avaliação dos resultados e representantes do cenário local, vale o registro da mais apertada eleição santista, em 1988, quando o PT de Telma venceu por 993 votos (0,4% dos 264.308 que foram votar) o PMDB, que pediu recontagem das cédulas, recusada. Entre 1992 e 2004, o PT sempre esteve no segundo turno contra um representante do que se pode chamar de centro-direita: venceu o PDS (ex-Arena) em 1992 e perdeu nos três pleitos seguintes para o PPB (Beto Mansur, prefeito reeleito) e PMDB (João Paulo Papa, por 1.771 votos e só nas últimas urnas). Nas quatro eleições posteriores, a polarização esteve profundamente adormecida e nunca mais houve segundo turno: Papa superou o PT no primeiro turno de 2008, com 77,2% dos votos válidos, excluídos nulos e em branco; o PSDB de Paulo Alexandre Barbosa ganhou com 57,9% em 2012 e 77,7% em 2016 — quando, pela única vez, o PT abdicou de encabeçar uma chapa; foi o PCdoB. Mas foi em 2020, ainda que com a eleição decidida na primeira fase, que Santos se viu atingida por um fenômeno externo: o bolsonarismo. Indicado por Barbosa, Rogério Santos, então no PSDB do governador João Doria, conseguiu 50,6%. Mas o segundo colocado, o desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ivan Sartori (PSD), até então jamais candidato a cargo eletivo, colou sua imagem à do então presidente Jair Bolsonaro. Essa tática funcionou, no sentido de que, agora, Rosana Valle surge como representante desse grupo após seis anos de forte ligação. Trouxe à Cidade o ex-mandatário e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para se lançar pré-candidata ao Executivo. Rogério contará com o trabalho de seu mandato e o apoio de Paulo Alexandre Barbosa, que teve desempenho superior ao de Rogério em pesquisas de opinião. Em 6 de outubro, ou no dia 27, havendo segundo turno, o eleitorado escreverá o próximo capítulo de um enredo que hoje completa 41 anos: a retomada da autonomia política de Santos, devolvida, após uma longa luta, em 2 de agosto de 1983.