(FreePik) As metas dos prefeitos nem sempre são para as próprias gestões. Esse longo prazo vale para os objetivos restritos às cidades que administram e para as pretensões metropolitanas, que dependem de outros municípios e, até, de outras esferas de governo para se concretizar. Então, desde já, evite uma possível decepção com sonhos e promessas apresentados pelos então candidatos: eles sabiam como demorariam a acontecer. E, em parte, disseram isso. O maior exemplo regional é a ideia de levar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) até Praia Grande. Coisa para 2034, como declarou abertamente, já na campanha eleitoral, Alberto Mourão (MDB), pela sexta vez prefeito dessa cidade. Se ele concorrer novamente e for reeleito, deixará o cargo em 2032, antes que o primeiro passageiro de trem elétrico de superfície desembarque em solo praia-grandense. Antes de se verem trilhos em Praia Grande, eles terão de ser postos na Área Continental de São Vicente, passando pela parte ferroviária paralela à Ponte A Tribuna (dos Barreiros). O Governo Estadual já mencionou e, por isso mesmo, o prefeito reeleito Kayo Amado (Pode) reconhece, a previsão de que o VLT poderá ser uma realidade nos pontos vicentinos mais extremos em, aproximadamente, três anos, até 2028. Quem ainda não notou deve reparar em algo interessante, para se evitar alguma outra expressão menos educada: todo grande empreendimento governamental tem inauguração marcada ou projetada para ano par. É quando ocorrem eleições. Assim continuará até que o Congresso, quase nunca alinhado às reais preocupações dos brasileiros, faça uma reforma eleitoral e, por interesse próprio, altere mandatos e reeleições para anos ímpares; mais datas para fazer promessas. Veja o túnel Santos-Guarujá, cuja proposta inicial completará 100 anos em 2027 sem que a obra tenha sido feita. Primeiro, dizia-se que poderia sair com base no dinheiro que o Governo Federal de então esperava receber com a privatização da Autoridade Portuária, planejada para o ano eleitoral de 2022. Não aconteceu, e o Governo Federal de agora está prevendo a licitação do projeto para este ano, para que a obra, possivelmente, comece no ano par e eleitoral de 2026. Pois já serão no ano que vem as eleições para presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. Estão todos à mercê desse calendário — ou melhor, brincando com ele — para tantas grandiosas pretensões, como a apresentação do projeto executivo da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, em direção ao Porto. Este é aguardado para o ano que vem, e vale lembrar que o próximo ano é 2026, pois muita gente ainda pode estar com 2024, que acabou há pouco, na cabeça. É de fazer suspirar que, no distante ano par de 2000, já se sonhava com parte desses planos com os quais, um quarto de século depois, ainda não se pode contar com nem sequer um tijolo. Se o público não cobrar, nada sairá. Se cobrar e não sair, que o eleitor não faça par com os candidatos que só prometem, e dê seu voto, ímpar e individual, para outro.