(Divulgação/ TRE-SP) No café da manhã, no almoço e no jantar, o prato será o mesmo de hoje a 3 de outubro: o horário eleitoral dos candidatos à Prefeitura de Santos. As opções no cardápio não são tantas quanto em 2020, pois o número de concorrentes baixou de 16 para quatro. Mas o paladar deve ser mais intenso, pois, diferentemente do que ocorreu naquele ano, a eleição de agora tende a chegar ao segundo turno. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! À parte seu prato predileto, o assunto, aqui, é a eficácia da apresentação do menu. A disseminação no uso de redes sociais, que não há lei capaz de controlar e por vezes escapa dos limites da Justiça Eleitoral, poderá tornar os tradicionais instrumentos do horário político e dos debates entre candidatos menos decisivos nas escolhas para a Prefeitura e a Câmara. É uma questão de comportamento, tanto dos candidatos quanto do eleitorado. Chega de tudo pelo celular. Esse material tem alto potencial de visualização e para se espalhar, com efeitos a serem conhecidos em pesquisas de intenção de voto e, principalmente, nos resultados de 6 de outubro — e do dia 27, caso a eleição vá à segunda etapa. O temor de que se propaguem mentiras e informações desencontradas ou fora de contexto parece maior agora por causa da agilidade na comunicação por meios digitais. Porque mentir em campanhas não é novidade: sempre houve montagens de áudio, distorção de declarações, fofocas sobre a vida pessoal de candidatos, concorrentes dizendo que adversários fariam coisas se eleitos — e, quando ganharam, foram os acusadores que as fizeram. Além de estar sujeito ao mau-caratismo em campanhas, o eleitor mesmo está cansado. Nem tanto dos métodos de fazer política, e sim, da falta de resultados, pois nem tudo o que espera para sua vida se concretiza. E, em esferas superiores de poder, políticos atribuem mais privilégios a si próprios. Imoralidades cobertas com o verniz de sua transformação em leis, como salários absurdos e anistias por infrações, passam sem contestação aparente. Para alguns, resta tentar entrar na política, não para mudar o que existe, mas para participar do rateio. Por isso que, apesar de serem quase sempre enganosos, discursos dos que fingem ser contra o ‘sistema’ ainda ecoam. Principalmente, quando proferidos por alguém que nunca disputou eleição ou, se o fez e até já exerceu mandato, era tão obscuro em seu passado político que foi capaz de se manter despercebido durante muito tempo. E, como agora é muito mais fácil expor o que se pensa, ou se finge pensar, devido à existência de redes sociais, aqueles que forem capazes de se mostrar de modo mais convincente poderão ter vantagem eleitoral. Um breve corte em um vídeo pode ser mais chamativo do que uma hora de debate (ou embate). Uma fotomontagem bem produzida tem capacidade de conferir o aspecto desejado pelo candidato e o efeito que, espera ele, fará no eleitor. Então, continua válido ver os planos de governo dos candidatos a prefeito. Estão disponíveis no Sistema de Divulgação e Contas Eleitorais: divulgacandcontas.tse.jus.br. Há casos em que não passam de ficção em potencial, mas ainda revelam ideias e podem embasar escolhas.