(Divulgação) Na última semana, como em tantas outras, eu estava levando minha filha Laura, de nove anos, para a escola. O trajeto é sempre cheio de conversas, risadas e trocas de histórias, mas naquele dia algo especial aconteceu. Estávamos lá, no carro, em mais um dia comum, quando ela pediu: “Vamos ouvir música, papai?” – e claro, sem hesitar, disse que sim. Mal terminei de responder, e ela já havia escolhido a música: “Como Tudo Deve Ser”, da banda Charlie Brown Jr. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Assim que os primeiros acordes soaram, fui tomado por um turbilhão de emoções. Era uma música que havia marcado minha adolescência, me transportando de volta para os dias na praia, as baladas, as aventuras com amigos que, com o tempo, acabaram se afastando. Cada nota, cada palavra, carregava o peso de memórias que, embora adormecidas, estavam sempre presentes. Lembrei-me de como o Charlie Brown Jr. representou toda uma geração nascida e criada em Santos – uma geração da qual eu fazia parte, cujas histórias se entrelaçam com as letras dessa banda. A música tocava e, por um instante, fui levado a refletir sobre o tempo. Como ele passa rápido, quase sem que a gente perceba. De repente, sou pai de uma menina de nove anos, que escolhe suas próprias músicas, e o tempo que parecia eterno na adolescência agora parece escapar por entre os dedos. Quase numa oração, desejei que ele pudesse desacelerar, que pudesse me dar mais tempo para viver esses momentos. A música trazia à tona essa melancolia, essa saudade do que já foi, mas também a alegria do que é. Em meio a tudo isso, Laura, sempre atenta, me surpreendeu com uma pergunta inocente, mas cheia de significado: “Papai, essa música é sobre você?”. Rimos juntos. A pergunta fazia sentido para ela; afinal, a música fala de ser um “louco advogado do mundo”, e ela me vê todos os dias lidando com os desafios dessa profissão que escolhi. Foi um momento doce e leve, onde o passado e o presente se cruzaram de maneira inesperada. A música continuava e, quando chegou no trecho “Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo”, senti uma pontada no peito. Realmente, temos tão pouco tempo. E a vida, com sua pressa, não nos dá folga. Mas é justamente essa sensação de urgência que torna tudo mais precioso. Cada instante com Laura, cada conversa no carro, cada risada compartilhada é um presente que o tempo, generoso em sua passagem implacável, ainda me oferece. Talvez seja isso que a música do Charlie Brown Jr. queira nos dizer. Pode ser que, como tudo deve ser, a vida seja uma dança entre o passado e o presente, entre o que já foi e o que ainda está por vir. E, no fim, “tudo vale a pena para te reencontrar”, seja com nossos sonhos, com nossos amigos ou, no meu caso, com essa versão de mim mesmo que Laura, em sua inocência, acredita existir na música.