(Imagem ilustrativa/Pexels) Nesta última semana, levei minha filha para a escola, como faço regularmente. Durante o caminho, gosto de me atualizar sobre a sua rotina escolar. Embora nossa conversa costume ser leve e divertida, procuro sempre saber um pouco mais sobre seu desenvolvimento e os desafios que enfrenta no dia a dia. Recentemente, ela me contou, com muito entusiasmo, sobre uma competição de palavras em inglês que teve na escola. Ela precisou se apresentar em pé, diante de toda a turma, e conseguiu um resultado muito positivo. Fiquei extremamente feliz com a conquista dela, mas, buscando entender seus sentimentos de forma mais profunda, perguntei: “Você teve medo quando foi lá na frente falar?” Ela me respondeu, com um olhar um pouco tímido: “Sim, papai. Tive, mas fui assim mesmo.” Naquele momento, percebi que ela talvez acreditasse que eu jamais sentiria medo em uma situação dessas. Decidi então compartilhar um pouco da minha própria experiência com ela. “Filha,” eu disse, “todas as vezes que falei em público na vida, senti medo.” Acrescentei ainda: “Às vezes, os passos mais firmes são dados com as pernas tremendo.” Ela sorriu, e percebi em seu olhar um misto de alívio e cumplicidade. Era como se, naquele instante, ela tivesse entendido que a coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de seguir em frente, apesar dele. Refletindo sobre esse momento, penso que é essencial encorajar nossos filhos a enfrentarem seus desafios. Não para que ajam como nós ou para que pensem que somos infalíveis. Pelo contrário, acredito que o verdadeiro crescimento acontece quando conseguimos encarar nossas falhas e, ainda assim, avançamos. As crianças, especialmente as mais jovens, costumam nos ver como super-heróis, figuras imbatíveis que não têm medo de nada. O que, convenhamos, não é verdade. Em várias oportunidades da minha vida, quando me vi confrontado com desafios, seja no trabalho, na vida pessoal ou em outros contextos, senti aquele “frio na barriga.” É algo que sempre compartilho com meus amigos e alunos: o que realmente nos diferencia é o que escolhemos fazer com esse sentimento. Ele pode nos paralisar ou, quando bem administrado, nos impulsionar para um crescimento pessoal verdadeiro. O medo, quando bem utilizado, transforma-se em uma espécie de mola propulsora, uma força que nos empurra para frente. Nossos filhos precisam saber disso. Eles precisam entender que o medo é natural e que é possível ter sucesso mesmo estando com receio. Ensinar isso é um presente, é plantar a semente da resiliência, é prepará-los para enfrentarem o mundo com coragem e determinação, independentemente do que sentem.