(Divulgação/ Porto de Santos) Vivemos em um mundo que ao longo de décadas dá sinais de que o setor portuário no Brasil está colapsando em alguns pilares. É um setor não vai para o brejo de hoje para amanhã: ele dá sinais aos poucos. É com essa realidade que a nossa geração convive, outras que por aqui passaram conviveram e as que estão por vir irão herdar. Uma herança deixada pelo debate vazio e focado em entregas pontuais de projetos que não são estruturantes e que mudam a rota dos negócios e do setor. A entrada do Porto, o calado, o túnel, as perimetrais, o novo Valongo e tantas outras questões que não são equacionadas. As cidades de Santos e Guarujá convivem com problemas há décadas. Uma realidade que convive com o discurso do atual ministro de Portos e Aeroportos, contrário ao do presidente da Autoridade Portuária. Será que não se falam? Qual o real interesse de Estado a respeito do STS10? Um afirma que vai resolver a área em 2025, o outro diz que não pode resolver sem antes entregar os acessos terrestres necessários. Como aumentar a capacidade em locais que estão colapsados com a capacidade atual? Quem está certo? O ministro ou o presidente do Porto de Santos? Aumento de capacidade, novo terminal de cruzeiros no Valongo, encerrar contratos com empresas que querem investir no Porto, atrair empresas que querem investir no cais santista etc. Afinal, qual a agenda proposta e qual planejamento de Estado no futuro? Às vezes, fico com a impressão que a sociedade dá de ombros para tantos problemas, aparenta estar vencida pela inércia e cada vez menos surpresa com a audácia de poucos que atormentam muitos. Sabemos que verba não falta no Brasil e nos ministérios, isso é noticiado constantemente por meio de inúmeras obras entregues, assim como os recordes do Porto de Santos. Alguém ainda comemora obra entregue? Alguém ainda comemora recordes do Porto de Santos? Inauguramos pontes, viadutos, escolas, o Parque Valongo e tantas outras obras que não estão aderentes aos problemas alarmados e que conduzem o Porto de Santos para o brejo. De outro lado, não existe preocupação com o custeio dessas obras inauguradas e que se degradam em poucos meses ou em menos de um ano. O que podemos afirmar de fato é que, assim como na época de Chico de Paula, as lutas são por interesses comuns e que deixam de lado a necessidade da tão comentada relação do porto com a cidade. Uma relação que já se divorciou antes mesmo de noivar. Basta olhar com um pouco mais de cuidado e zelo para saber que capacitação, mobilidade e emprego não são tratados como deveriam e de maneira equalitária aos portos desenvolvidos no mundo. Deixamos de ser o maior da América Latina e criamos um novo rótulo chamado maior do Hemisfério Sul. A relação do porto com a cidade não consegue atualizar nem o novo rótulo. Muitos ainda acreditam que somos o maior da América Latina e usam esse termo. Já não somos o maior da América Latina e hoje somos o maior dos menores se olharmos o Hemisfério Sul, basta olhar o mapa do mundo. Não entendo por que muitos não reparam em tudo o que acontece ao nosso redor. Talvez porque estejam embriagados com as redes sociais com ofensas mútuas ou, talvez, nas ruas estourando fogos pelos times de futebol. E até batendo palmas por obras que ficam prontas hoje e depreciadas amanhã. Ninguém se entende mais e estamos anestesiados com a inércia generalizada ou escravizados pelo sistema de interesses. Por meio da burocracia, nos tornamos resistentes a qualquer tipo de celeridade que seja necessária, e possuímos uma tal “substância” de não reagir em contato com outra. No privado do WhatsApp, lemos rotineiramente formadores de opinião indignados com o que acontece, mas paralisados nas ações. O que aconteceu de fato com o nosso Porto? Não existe mais evidência clara e fundamental para manter o negócio e que faça nos movimentarmos. Jamais deixaremos de ser o maior do Hemisfério Sul e, talvez, nunca voltaremos a ser o maior da América Latina. Certo mesmo é que polarizados e sem foco continuaremos inertes. Por fim, vivemos a síndrome do copia e cola. Todo mundo copiando todo mundo e falando do porto somente para quem é do porto. Esqueceram da cidade?