(Reprodução) A vertigem é a percepção irreal de que as coisas estão rodando ao seu redor ou que o seu corpo está rodando, como se estivesse em um redemoinho, ou balançando, como em um barco. Não sei se você já parou para pensar se estamos com vertigem no nosso setor portuário. Vejamos: há quantas décadas estamos falando a respeito de uma ligação seca entre Santos e Guarujá? Será que é do conhecimento de todos que já é mais do que necessária a melhoria nos acessos ao Porto de Santos? E a manutenção das perimetrais? O aumento da capacidade nos terminais? O aprofundamento do canal de navegação? Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Talvez possamos imaginar que, apesar do enorme esforço para criar-se o tão “sonhado” Parque Valongo, ainda temos desafios naquela região. Como acessar o local pelo elevador que vez ou outra não funciona? Por uma passarela que em dias de chuva não pode ser usada para visitar o parque, além da luta para transitar pelo centro em obras e estacionar o carro. Vamos imaginar o que será feito naquele local para atrair turistas, topa? Será que já não experimentamos antes coisas similares e que não funcionaram? Andamos, andamos, demoramos, nos esforçamos, criamos, lutamos, demoramos, lutamos ainda mais e, no final, qual é o verdadeiro resultado? A imaginação pode ajudar aqui também. Fico pensando se é certo comparar o Parque Valongo ao Puerto Madero, na Argentina, ou à Estação das Docas, em Belém do Pará. Essa comparação não pode ser feita por um motivo muito lúcido: tanto Puerto Madero quanto a Estação das Docas estão em áreas onde já não existem operações portuárias e isso facilita muito o acesso. Em nossa realidade, precisamos entender que os acessos precisam estar em sinergia com as operações portuárias e que devem proporcionar facilidade para quem visita o local, além de segurança. Temos de reconhecer o esforço feito pelas autoridades para a realização dessa obra naquela localidade, apesar de ser um local nobre para as operações portuárias. Contudo, temos de considerar, também, a aclamada relação do porto com a cidade e esperar realmente fomentar o turismo e a gastronomia naquela região, por exemplo. Qualquer cidade ou país com sucesso nesse tema sabe: o que alimenta o turismo são a gastronomia e as atratividades. Aí sim, poderemos usar como exemplo Puerto Madero e a Estação das Docas no Pará. Talvez isso ocorra em uma segunda fase, já com o terminal de passageiros instalado naquela área. Sempre torcendo para que aquilo que já foi feito não seja depreciado ou esquecido. Sempre percebemos que, após “cortar a faixa”, esquecemos da manutenção e do custeio de obras caras e que demandaram tempo. Não sou crítico ao Parque Valongo e ao esforço desprendido por tantos para vencer algo simples de se fazer. Tão simples que foi feito em poucos meses, em tempo recorde. Poderíamos ser rápidos também para resolver os problemas de acesso ao porto, problemas das perimetrais, aumento do calado de navegação, ligação seca entre Santos e Guarujá e aumentar a capacidade dos terminais. Isso ajudaria a atrair mais empregos e pessoas para frequentar os pontos turísticos? Use a imaginação. Penso que não podemos perder aquilo que conquistamos e nos atentar parar como iremos desenvolver a economia, o emprego e o turismo naquele equipamento. É nesse ponto que podemos e devemos seguir o conceito de Puerto Madero e de outros locais. Uma sugestão é a atração de boa gastronomia, que gere interesse da população, com bons restaurantes instalados no ano todo. Que esses locais possam oferecer empregos, oportunidades de fornecimento para empresas locais e, por fim, um turismo que faça nossa economia girar. Sem segurança, facilidade no acesso e atratividades que perdurem o ano todo, creio que, em breve, poderemos perder o que demoramos tanto tempo para conquistar. Espero que esteja errado e que aquilo que poucos enxergam no momento seja irreal. Não queremos ficar com aquela sensação de que estamos sempre andando em círculos ou até enjoados em ver sempre as mesmas coisas, da mesma maneira. Que o Parque Vá longe!