Porque na verdade o que importa é orbitar ao redor da dificuldade (Reprodução) A sociedade brasileira é formada por pessoas de origens raciais e étnicas diferentes. Povos indígenas, negros africanos, colonizadores portugueses e de posteriores ondas imigratórias de europeus, árabes e japoneses, além de outros povos asiáticos e de países sul-americanos. Talvez essa junção de tantas raças e etnias distintas seja um dos grandes desafios do Brasil ao longo dos séculos. Se cada povo possui uma cultura, uma maneira de pensar, uma forma de enxergar a realidade e suas necessidades, como alinhar tantas expectativas? Podemos pensar que em certos países a hierarquia ajuda na tomada de decisão. Em outros, a monarquia contribui para os desejos da sociedade. E até há países onde o socialismo radical impõe um regime de políticas sociais e nos negócios. Talvez no Brasil, por tamanha diversidade, nos acostumamos com a tal “democracia” para atender tantos interesses e necessidades. Não nos atentamos, porém, que essa “suposta” democracia, ou qualquer outro nome utilizado para justificar tamanha indefinição e postergação de decisões óbvias, tenha atrofiado o País e feito com que não possamos caminhar e olhar para o futuro de maneira estruturada. Os projetos necessários demandam décadas para que saiam do papel. Tão logo isso ocorre, muitos se utilizam de outras demandas ou influências para retornar ao papel qualquer projeto que não atenda pontos específicos de suas necessidades ou até que, de alguma maneira, influencie seus negócios. Fato é que, legitimamente, no mundo dos negócios devemos proteger os interesses, mas será que devemos realizá-los mesmo que isso afete o desenvolvimento estrutural do País? Uma boa reflexão para todo cidadão e que pode ou deve ocorrer em outros países. Por aqui, convivemos com inúmeras indecisões que não são resolvidas ou que não querem resolver. Atrás de toda cortina de fumaça que se é criada, muitos podem se beneficiar do que chamamos de “problema”. Incrível que, ao longo de décadas, não conseguimos resolver as questões de dragagem dos portos, de temas como capacitação de mão de obra, Terminal Handling Charge (THC), Serviço de Segregação e Entrega de Contêineres (SSE) e tantos outros. Entramos em um círculo vicioso de solução, problema, solução, debate do problema, solução e, por fim, continuamos com o problema. As lideranças setoriais estão focadas na solução ou em viver o problema? Uma pergunta simples, mas que talvez ainda não tenha resposta. O mercado portuário consegue destravar certas agendas, mas, de outro lado, convive durante décadas com outras. Como devemos fazer a análise dos problemas? É claro que o primeiro passo é identificá-lo. Depois, devemos observar o problema, analisando o fenômeno e suas causas, propor um plano de ação, ter boas práticas para a execução das ações, métodos de verificação dos resultados e por fim padronizar os procedimentos. Ocorre que nas propostas efetuadas e que tenham aderência com a necessidade dos portos do Brasil, ficamos a cada passo burocratizando e construindo métricas e diretrizes baseadas na má-fé do todo. Com isso, somos obrigados a criar regulamentações e leis que proíbem quase que tudo. Diante desse cenário todos aqueles que de alguma maneira entendem que algo não seja importante para si ou as suas expectativas acabem usando desse arcabouço insano de regramentos e legislações para postergar decisões e o andamento do que é importante para o bem comum. Como no Brasil ainda convivemos com a indefinição e sucessão dos planos de governo, talvez tenhamos aprendido a postergar as decisões - sejam elas quais forem - esperando que uma suposta mudança de rota possa atender à necessidade que hoje não existe, mas que possa existir no futuro. Burocratizamos até a expectativa. Assim, não conseguimos atender a expectativa de cada um e nem ao menos dos negócios e do País. Adicionamos nisso tudo o imediatismo e, por consequência, a ansiedade de fazer hoje, porque no amanhã ninguém tem certeza de nada. A miscigenação ou mestiçagem consiste na mistura de raças, de povos e de diferentes etnias. Assim, multirraciais ou multiétnicas são as pessoas que não são descendentes de uma única origem. Essas pessoas possuem características de cada uma das raças de que descendem. Por sermos tão diferentes e com tantas características, aprendemos a andar em círculos, expressão usada para descrever algo inerte, aquilo que não sai do lugar, ou algo que se repete sem finalidade ou transformação. Com tamanha miscigenação destacamos algo bem característico no DNA do brasileiro; as críticas sem propósito e que causam mal somente naqueles que as recebem. Prejudicando também quem as fazem com fervor, aumentando a sensação de mal-estar generalizado e social e impulsionando o mau humor e o estresse. Além disso, essas críticas desagradáveis lançadas aos outros fortalecem a conhecida autocrítica tóxica. Ficamos paralisados e imersos no problema que não tem solução, porque na verdade o que importa é orbitar ao redor da dificuldade e, quem sabe, continuar faturando e prosperando em meio da ineficiência, ao invés da eficiência. Seguimos ou continuamos andando em círculos? O futuro dirá!