[[legacy_image_207973]] A semana no Santos passou e termina com muita especulação, sem uma perspectiva clara e com grande receio em torno do futuro. Dentro e fora do campo. No Campeonato Brasileiro, a preocupação imediata é o clássico de hoje contra o forte Palmeiras, principalmente pela diferença de nível técnico e das consequências em caso de mais uma derrota. Se perder, será o terceiro resultado negativo, colocando sob ameaça a razoável posição que ocupa na tabela de classificação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Numa rápida avaliação do futuro, a perspectiva não é boa, pois os próximos adversários serão Athletico-PR e Atlético-MG, ambos na Vila Belmiro, e ainda há o Internacional entre eles, no Beira-Rio. Mas, mesmo em casa, nada garante uma boa possibilidade de vitória, também pela instabilidade do time. O recente confronto com o Goiás é um bom exemplo. O ideal seria que o Santos já tivesse definido o nome do treinador, pois a interinidade não ajuda em nada. Pelo contrário, provoca incerteza em todos os setores. Vanderlei Luxemburgo foi vetado pelo Comitê de Gestão, Leão novamente recusou a volta ao clube e o argentino Sebastian Beccacece, considerado a nova estrela argentina pelo trabalho que realizou no Defensa y Justicia, também não se empolgou com a possibilidade de assumir o clube brasileiro. Inegavelmente, uma situação difícil e que expõe ainda mais a fragilidade do momento do Santos em todos os sentidos. Trabalhar no Santos sempre foi o sonho de qualquer treinador. Por enquanto, a opção por Orlando Ribeiro, técnico do sub-20, é a única saída. Ele começou na Portuguesa, passou pelo Osasco e trabalhou por 11 anos no São Paulo antes de se transferir para o Santos. Com 55 anos e boa experiência nas categorias de base, tem na sua carreira a grande oportunidade. Precisará, porém, apresentar resultados imediatos, sob pena de se transformar em mais um treinador na longa lista da atual gestão. Independentemente de sua permanência, está claro que a atual diretoria precisa encontrar urgente um profissional com grande experiência no futebol. Um amigo e fanático torcedor do Santos, que num primeiro momento até acreditou em Lisca, comentou essa semana que ao Santos, nesse difícil momento, “falta um Zito” para assessorar a diretoria, para indicar “o caminho das pedras”. Infelizmente, Zito faleceu, mas o simbolismo da sugestão tem que ser avaliado com profundidade. Nas horas difíceis, é importante contar com profissionais que tenham história e experiência no futebol. É da troca de ideias e reflexões que pode sair uma boa solução para agora e o futuro. Está claro que a recusa de Luxemburgo, que num primeiro momento chegou a ser convidado, Leão e Beccacece tem na essência o nível do elenco e o momento do Campeonato Brasileiro, praticamente na fase final. Há ainda um outro componente que preocupa: o ambiente entre os jogadores. Causou surpresa essa semana, em uma entrevista, a declaração do experiente zagueiro Maicon de que, além de sorte, falta ao time um “pouco mais de vontade”. O comentário no mínimo permite concluir que um ou mais jogadores não estão efetivamente comprometidos com a reabilitação da equipe. É um sinal perigoso, que precisa ser imediatamente avaliado pelo treinador interino e até pela diretoria. Sem união e dedicação plena, a situação só tende a se complicar. Essa não é a primeira vez que o Santos vive um momento conturbado, pois esse quadro já ocorreu algumas vezes na história e no passado recente. Com dificuldades, o clube sempre ressurgiu, porém, não basta acreditar que isso sempre se repetirá. É preciso ter humildade para ouvir quem realmente entende de futebol dentro e fora do campo e montar um grupo que efetivamente contribua para as grandes decisões. É inegável que é impossível governar sozinho. E que viver de apostas é sempre um grande risco. Nem sempre se tem um ás na manga.