Ao ser questionado sobre o futuro do Brasil, Romário foi direto e disse textualmente que a equipe nacional, se quiser vencer, precisa de Neymar (Reprodução) Na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, uma festa reuniu grandes jogadores para comemorar os 30 anos do tetracampeonato do mundo, na primeira Copa realizada nos Estados Unidos. Até Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e banido do futebol por corrupção, participou da reunião, encontrando Romário, seu grande desafeto. O dirigente, aliás, não pode sair do Brasil, pois seu nome está na lista internacional da Interpol. Além de Romário e Teixeira, compareceram Jorginho, Ricardo Rocha, Cafu, Bebeto, Márcio Santos, Branco, Mauro Silva e o técnico Carlos Alberto Parreira. A festa serviu também para Romário e Bebeto reatarem relações – estremecidas por divergências políticas durante a última eleição para presidente da República – e para exibição da faixa original em homenagem a Ayrton Senna, que faleceu pouco antes da grande conquista. O Baixinho até repetiu o “eu te amo” que Bebeto pronunciou em agradecimento ao passe para o gol contra os Estados Unidos, na vitória por 1 a 0. Ao chegar à festa, bem ao seu estilo, curto e grosso, Romário foi questionado sobre o futuro da seleção brasileira, que não conquista um título mundial há 22 anos. Entre 1970, quando o Brasil foi tricampeão mundial, e 1994 se passaram 24 anos. A próxima, em 2026, será novamente nos Estados Unidos, numa parceria com Canadá e México. Ao contrário de 1994, a expectativa de conquista brasileira é muito pequena, a julgar pelos últimos resultados e performances. Ainda recentemente, na disputa da Copa América, o Brasil foi eliminado nas quartas de final, nos pênaltis, contra o Uruguai de Marcelo Bielsa. E o pior: à exceção da partida contra o Paraguai, a seleção apresentou um futebol de baixa qualidade, causando mais uma grande frustração ao torcedor. Ao ser questionado sobre o futuro do Brasil, Romário foi direto e, como humildade nunca foi seu forte, disse textualmente que a equipe nacional, se quiser vencer, precisa de Neymar. Na sequência, ponderou que a história das seleções brasileiras campeãs é clara: “Em 70 foi Pelé; 94 foi o Romário e, em 2002, foi o Ronaldo (Fenômeno). Se não jogarem para o Neymar, o Brasil não será campeão, simples assim”. Na sequência, ponderou que o ex-jogador do Santos, Barcelona e PSG, atualmente na Arábia Saudita, participou de três Copas. "Ele já disputou duas ou três Copas, mas não jogaram para ele. Enquanto não jogarem para ele, enquanto não entenderem que ele é o 'cara da diferença’, vão continuar se f...", finalizou o atacante, com um palavrão. Questionado sobre o que falta para o elenco atual repetir o sucesso do passado, o eterno camisa 11 voltou a exibir sinceridade ímpar e foi óbvio. "Fazer gol. Os caras não fazem gol". Exageros à parte, em alguns aspectos Romário tem razão. As três últimas conquistas passaram por Pelé, por ele e por Ronaldo Fenômeno. É óbvio que os três contaram com apoio de vários jogadores importantes, mas rigorosamente fizeram a diferença. Em 1970, salvo exceções, a maioria era craque, como Jairzinho, Rivelino, Carlos Alberto e Clodoaldo, entre outros, ou gênios, como Tostão e Gerson. Pelé, como disse Romário, era a diferença. E realmente conduziu o Brasil. Em seu país natal, infelizmente, Neymar ainda é muito contestado, muito mais por sua vida de popstar. Como jogador, é certo que se enquadra na categoria de gênio, só não alcançando o status do Rei Pelé. Neymar hoje, felizmente, está na reta final de recuperação de mais uma grave lesão. Deve voltar, segundo informações, em dois ou três meses, atuando inicialmente na própria Arábia Saudita. Se conseguir jogar tecnicamente no nível que o consagrou, pode fazer a diferença e até liderar a seleção brasileira, que tem craques como Vinicius Júnior, Rodrygo, Paquetá e outros e não consegue convencer. Na prática, em lances individuais esporádicos até driblam, mas na maior parte jogam o futebol burocrático da grande maioria dos times brasileiros, numa troca de passes infinita, quase ser verticalidade. Além de qualidade técnica e tática, o improviso, o drible e a criatividade definem um jogo. Só isso, como dizem os especialistas do momento, é possível “quebrar as linhas”. Hoje, o Brasil é apenas o sexto colocado nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Pelo número de vagas, seis no total, além de uma chance na repescagem, a seleção brasileira deve se classificar, mas é preciso evoluir em todos os sentidos. Um dos caminhos é recuperar a origem e a essência do futebol brasileiro, baseadas justamente na habilidade e criatividade. Vale, sem dúvida, refletir bastante sobre a fala de Romário. Tem sentido, pois ele, Ronaldo e Pelé realmente fizeram a diferença.