(Cesar Greco/ Divulgação Palmeiras/ Arquivo) Não tem precedentes a manifestação do atacante Dudu agredindo verbalmente a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. O jogador extrapolou os limites da civilidade ao fazer um post nas redes sociais com críticas à dirigente e, no final, ainda que usando apenas letras iniciais, utilizou um palavrão dos mais absurdos. Não foi a primeira vez que Leila Pereira e o atacante bateram de frente. Há alguns meses, surpreendendo a todos, Dudu fez todas as movimentações para se transferir ao Cruzeiro, de Belo Horizonte, a ponto de o clube mineiro anunciar em suas redes a contratação. Segundo consta, o Palmeiras só soube do negócio quando tudo parecia concluído, num desrespeito à instituição que lhe deu sempre total apoio. A repercussão foi imensa, causando indignação até entre os torcedores, que o consideravam um dos ídolos do time. Na sequência, para piorar, a transferência fracassou por culpa do próprio Dudu, que não cumpriu com a palavra empenhada ao Cruzeiro. Palmeiras, Leila Pereira e o técnico Abel tiveram que literalmente “engolir” o jogador de volta e aguardar a primeira oportunidade para negociá-lo. A relação entre as partes, contudo, jamais foi a mesma, a ponto da presidente, em uma de suas muitas entrevistas, ter anunciado que o ciclo de Dudu no clube havia se encerrado. Findo o Campeonato Brasileiro, o jogador foi definitivamente para o Cruzeiro, praticamente sem custo. Foi o estopim para que a dirigente, que reage de pronto a qualquer provocação, durante nova entrevista, ter dito com todas as letras que Dudu havia deixado o Palmeiras “pela porta do fundo”. E mais: fez uma comparação com Rony, que está sendo pretendido por alguns clubes e pode ser vendido. Segundo Leila, esse jogador, se deixar o clube, sairá pelas “portas da frente”. Leila Pereira, é inegável, poderia ter evitado o comentário agressivo sobre como considerou a forma que Dudu deixou o Palmeiras. Sem dúvida, isso provocou a reação descabida do atleta, porém, não se justifica e é inaceitável. A questão é que a dirigente tem um perfil muito diferente da grande maioria dos homens que comandam o futebol, ela não é de tergiversar ou camuflar a realidade com frases feitas ou sem nenhum sentido. E isso é extremamente positivo. A presidente palmeirense é verdadeira e isso no futebol incomoda muito. Assim mesmo, são inaceitáveis os termos do post do atacante, que até já estreou no Cruzeiro, num amistoso contra o São Paulo, na Flórida. No post, além do texto, Dudu exibiu vários troféus que conquistou durante a sua carreira no Palmeiras. Foram vários, mas frutos também de um grande time e um treinador competente. O jogador praticamente não jogou no ano passado, se recuperando de uma séria contusão, e contou com todo o suporte do Palmeiras. Dudu, na essência do episódio, também demonstrou profunda ingratidão, ignorando que só se consolidou como um jogador diferenciado por estar no Verdão. Leila Pereira, além de repudiar os ataques de baixo nível, decidiu processar o jogador civil e criminalmente. Sábia iniciativa, pois Dudu não pode sair impune, tem que se responsabilizado. Mesmo que não seja condenado a uma pena grave, impõe-se uma reparação ou uma retração pública. Mesmo no futebol, há que se ter limites e regras. Ou, pelo menos, educação.