Vitor Roque não foi o primeiro e nem será o último a viver o sonho da Europa, do chamado primeiro mundo do futebol, e literalmente fracassar (Reprodução/Twitter) Vitor Roque, uma das grandes revelações do futebol brasileiro nos últimos tempos, simplesmente está no mercado, rejeitado pelo grande Barcelona, da Espanha. Obviamente, quem sonhar com ele terá que pagar um bom preço para pelo menos minimizar o investimento feito pelo clube espanhol. Ele não foi o primeiro e nem será o último a viver o sonho da Europa, do chamado primeiro mundo do futebol, e literalmente fracassar. Em parte, isso se deveu também ao processo de contratação, que não teria sido aprovado pelo então treinador da equipe. Vitor Roque, na prática, teve poucas oportunidades de mostrar seu futebol, sua minutagem como titular foi muito pequena. Na maioria das vezes, entrou no segundo tempo e, com pouco entrosamento, não convenceu a ninguém. Uma pena, pois é um jogador de bom nível e artilheiro. Assim como Vitor Roque, vários também não vingaram no futebol europeu, onde o ritmo é completamente diferente e as exigências vão além do campo. Alguns exemplos recentes: Gabigol, Gustavo Scarpa e Kaio Jorge. No passado, muitos outros: Edmundo, Viola, Marcelinho Carioca e até o grande Sócrates. Na maioria das vezes, a proposta financeira é o que mais importa, pois significa a possibilidade da chamada independência financeira. As transferências mais recentes foram as de Endrick para Real Madrid, Luis Guilherme para o West Ham (ambos do Palmeiras), Ângelo e Deivid Washington (os dois do Santos para o Chelsea). Ângelo já foi emprestado para a França e Deivid Washington pouco apareceu no time londrino. Já se cogita até sua volta ao Brasil. Um bom jogador, ou melhor, um atleta com potencial técnico, porém ainda inexperiente e até sem a personalidade que o futebol exige a todo instante. Do ponto de vista financeiro, óbvio que o prejuízo é bem menor, afinal quase sempre o salário é duas ou três vezes maior, em moeda valorizada, e o contrato pode ser até de cinco anos. Assim, mesmo que o atleta não corresponda e acabe emprestado, os ganhos se mantêm por um longo período. Em síntese, pelo aspecto financeiro, sempre compensa. A questão maior é a sequência da carreira, principalmente no futebol europeu. Gabigol, por exemplo, foi para a Itália, depois para o Benfica e voltou por empréstimo ao Santos. Na sequência, se transferiu para o Flamengo, virou ídolo do Maracanã e agora não tem sequer garantida uma renovação de contrato. No final do ano, pode acabar no Palmeiras. Numa análise isenta, a raiz do problema pode estar na idade com que as jovens revelações brasileiras vão para o exterior. Endrick foi vendido aos 17 anos e embarcou para a Espanha aos 18, por força da legislação, que impede a transferência antes da maioridade penal. Por tudo que fez no Palmeiras, tem qualidades para se impor e vencer. Contudo, no Real Madrid terá que ir além do que apresentou para se consolidar como uma estrela da equipe, considerada uma das mais fortes do planeta. Por enquanto, na recente disputa da Supercopa Europeia, em que o Real conquistou mais um título, é apenas um reserva. Até compreensível, pois os titulares são Vinicius Júnior, Rodrygo, ex-Santos, e agora Mbappé, considerado um dos três melhores do mundo. Ao contrário de Scarpa, Gabigol e outros, Endrick já deu sinais de que tem personalidade e condições técnicas diferenciadas. A favor, conta ainda a presença do grande técnico Carlo Ancelotti, que já percebeu que o brasileiro pode ser muito útil ao Real. Para ajudar, terá ainda ao seu lado dois atletas brasileiros que se transferiram cedo para o time de Madri e hoje se consolidaram como craques mundiais: Vinicius Júnior e Rodrygo, atualmente titulares absolutos. E tem ainda Éder Militão, outro companheiro de seleção brasileira. No contexto geral, não basta ao jovem brasileiro se destacar apenas num grande time do Rio, São Paulo ou outro grande centro. A eventual transferência tem que ser planejada, envolvendo até o aprendizado do idioma do novo país. Os treinadores brasileiros enfrentam problemas para entrada no mercado europeu por falta de domínio do inglês ou pelo menos do espanhol. O mercado europeu, é impossível negar, rejeita técnicos do Brasil também pela falta de cultura geral ou por falarem apenas português, assim mesmo com limitações. Um bom exemplo é Tite, atualmente no Flamengo. Seu sonho, depois do fracasso comandando a seleção brasileira, era trabalhar apenas no exterior, num grande centro. Ele esperou quase um ano e no máximo recebeu sondagens da América do Sul ou do mundo árabe. Esse último paga bem, mas literalmente não tem repercussão. Assim, principalmente para os jogadores construírem uma carreira, não é suficiente saber apenas jogar futebol. É preciso haver planejamento e maturidade.