Treinador Dorival Júnior convocou jogadores para mais duas partidas das Eliminatórias, contra Equador e Paraguai (Reprodução/ Redes Sociais) Sob pressão, o técnico Dorival Júnior convocou a seleção brasileira para mais dois jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá. No momento, o Brasil é apenas o sexto colocado, com somente 6 pontos, atrás de equipes como Venezuela e Equador, além de Colômbia, Uruguai e a líder Argentina, com 15. Pelo regulamento, a América do Sul tem direito a seis vagas diretas. O sétimo colocado vai para uma repescagem internacional. Em síntese, até sete seleções podem se classificar para a próxima Copa do Mundo, que terá um formato inédito, com 48 equipes. Serão 12 grupos de quatro times se classificando para a fase de mata-mata: os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados. No total, sobrarão 32 equipes, o mesmo número da Copa de 2022. Sem dúvida, pelo caráter eliminatório, será o verdadeiro início da competição, com a devida qualificação dos melhores. Esse inchaço, é claro, tem um viés político, ampliando o raio de ação para uma eventual reeleição de Gianni Infantino, atual presidente da Fifa. Um processo semelhante ao desenvolvido pelo brasileiro João Havelange, que ampliou de 24 para 32 o número de participantes, e garantiu anos e anos no comando da instituição, até sair sob suspeita de corrupção. O aumento de vagas era uma reivindicação antiga de vários países que dificilmente conseguiam participar de uma Copa do Mundo. O Brasil, vale lembrar, é o único país que disputou todas as copas do mundo e é pentacampeão. As Eliminatórias do Cone Sul são longas, vão até a metade de 2025, porém, o Brasil não pode subestimar a competição e imaginar que a conquista da vaga será natural. Nos últimos anos, muitos times evoluíram, o maior exemplo é a Venezuela, que normalmente era a última colocada. Hoje, está na quarta colocação com Soteldo, Rincón e outros bem conhecidos do futebol brasileiro. O Equador é outro país que cresceu muito, tornando-se até um grande “exportador” de jogadores para a Europa e principalmente para o Brasil. Sem contar a Colômbia, que atingiu um status de grande seleção, ameaçando a hegemonia de Brasil, Uruguai e até Argentina. No momento, é a terceira colocada, com 12 pontos. Na convocação anunciada sexta-feira, no Rio de Janeiro, o técnico Dorival Júnior sinalizou mais uma vez a necessidade de renovação e sua insatisfação com a apatia ofensiva do time brasileiro, apesar de contar com jogadores como Vinícius Júnior, Rodrygo e outros. As novidades desta vez foram Luiz Henrique, do Botafogo, e Estêvão, do Palmeiras, com apenas 17 anos. Difícil imaginar, inicialmente, que os dois serão titulares, mas são pontas (ou jogadores de extremidade, num linguajar mais moderno), jovens e destaques do atual Campeonato Brasileiro. O treinador pediu paciência em relação aos dois jogadores, que na prática vivem um processo semelhante ao de Endrick, agora definitivamente no Real Madrid. Dorival Júnior está na mesma linha de Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid, que ainda semana passada pediu calma aos torcedores espanhóis em relação ao aproveitamento de Endrick no time titular. Garantiu que o jogador “terá sua minutagem”, mas de forma gradativa. A situação de Endrick é mais difícil, pois os titulares do Real são Vini Júnior, Rodrygo e simplesmente Mbappé. O aproveitamento dos novos destaques brasileiros tem que seguir na mesma linha, sob pena de comprometer o futuro da seleção e até nos seus respectivos clubes. Uma outra novidade na convocação foi Pedro, do Flamengo, que vive uma boa fase. Sua inclusão na lista também tem um viés tático, por ser um jogador com perfil técnico clássico, do velho e bom centroavante. Pode ser uma solução para o ataque brasileiro, que literalmente fracassou na última Copa América. Na coletiva de Imprensa, após anunciar a relação de convocados, Dorival Júnior foi muito feliz, sintetizando bem a necessidade da seleção brasileira: “Equilíbrio entre marcação e criação”. Na verdade, ao Brasil tem faltado notadamente criatividade no meio-campo, por isso a baixa produção dos atacantes. Sem essa conexão, resta apenas a jogada individual, cada vez mais rara no futebol brasileiro, pelo sistema de linhas compactas desde a intermediária. No mais, nenhuma grande novidade: na defesa praticamente nada mudou, assim como os três goleiros. No meio-campo, a base também foi mantida, até com Lucas Paquetá, que em breve será julgado na Inglaterra por suposto envolvimento em manipulação de resultados. Há, ainda, uma grande esperança: Neymar, em fase final de recuperação. Segundo informações obtidas ontem, por intermédio de um amigo particular do jogador, ele deve voltar a jogar em setembro. Na prática, já poderia até ter sido escalado, mas está consolidando sua recuperação para evitar uma nova contusão. Nessa rodada das Eliminatórias serão mais dois jogos: contra Equador, em Curitiba, cujo horário foi alterado para as 22 horas, e o Paraguai, em Assunção. No passado seriam dois jogos fáceis, do tipo ‘favas contadas’. Hoje, porém, o quadro é bem diferente. O Brasil terá que jogar mais e reagir para evitar um novo vexame.