(Adobe Stock) Em apenas uma semana, ainda que em torneios distintos, João Fonseca teve oportunidade de enfrentar os dois melhores tenistas do mundo, o italiano Jannik Sinner e o espanhol Carlos Alcaraz. Sinner é atualmente o segundo no ranking mundial e Alcaraz o número 1 há várias semanas. O duelo contra o italiano ocorreu na semana passada em Indian Wells, um dos torneios mais charmosos do circuito mundial, na Califórnia. Nos bastidores, os organizadores trabalham para transformá-lo em mais um Grand Slam, que reúne os principais torneios da temporada – Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimblendon e US Open. Fonseca perdeu os dois duelos, ambos em dois sets, porém, ficou claro que muito em breve estará no mesmo nível das duas estrelas. Contra Sinner, os dois sets foram no tie break e por pouco o brasileiro não venceu a primeira parcial, o que fatalmente mudaria a história da partida. Foi um jogo rigorosamente igual, prevalecendo a experiência nos momentos decisivos. Muito natural, Fonseca tem pouco mais de um ano no circuito e 19 anos, contra Sinner com 21 e muito tempo de estrada. Essa diferença pesa muito e interfere no resultado final. Porém, foi bonito e entusiasmante observar o brasileiro enfrentando grandes rallies num nível altíssimo de potência e até conquistando pontos. Contra Alcaraz não foi muito diferente, ainda que João Fonseca tenha demonstrado certo nervosismo e cometido erros básicos. A derrota também veio em dois sets, 6/4 e 6/4, com uma quebra de serviço em cada parcial. Numa comparação entre os dois duelos, a melhor performance foi em Indian Wells. Os confrontos também evidenciaram que Alcaraz tem um leque maior de variações táticas, o que complicou o jogo do brasileiro. Em momentos decisivos, o espanhol conseguiu evitar o confronto de força, uma das principais armas de João Fonseca, principalmente de forehand. Com isso, construiu até com certa tranquilidade a vitória no Master 1000 de Miami. Depois do jogo, o próprio tenista brasileiro reconheceu o elevado nível técnico do espanhol: “Alcaraz tem mais arsenal do que Sinner. O Sinner é mais como um robô, que mata a bola e faz tudo perfeito. Carlos pode fazer de tudo, pode fazer top spin (golpe com efeito), pode atirar a bola. Além disso, tem uma boa movimentação, ele vai para a rede, ele tem tudo, e é mais difícil entender o jogo”. Análises perfeitas, sem dúvida, ainda que na essência os dois sejam efetivamente as grandes estrelas do tênis mundial. Os confrontos diretos recentes demonstram claramente que é impossível prever que um ou outro se consolidará como o melhor. Só não enterraram o passado recente porque Novak Djokovic, com 38 anos, ainda sobrevive como um fenômeno do esporte. Quem pratica esporte de alta performances sabe que nas derrotas sempre se aprende um pouco mais, notadamente se tiver humildade. E João Fonseca tem de sobra, assim como muita simplicidade. Depois do jogo contra Alcaraz, foi muito feliz: “Saio dessa gira mais confiante em mim mesmo. Feliz e de cabeça erguida. Esses jogos me motivam a continuar trabalhando e evoluindo”. O próximo compromisso de João Fonseca será o Master 1000 de Monte Carlo, no Principado de Mônaco, no saibro, um piso que poderá favorecê-lo bastante. Na sequência terá o ATP 500 de Munique, Master 1000 de Madrid e de Roma, antecedendo Roland Garros. Com certeza, independentemente dos resultados, o brasileiro chegará muito forte à França, torneio onde o Brasil, com Guga, fez grande história. Comprovando que a moeda tem dois lados, no feminino Bia Haddad continua seu “calvário”. Sua temporada é extremamente negativa, acumulando oito derrotas na primeira rodada de Adelaide, Aberto da Austrália, Abu Dhabi, Doha, Mérida, Indian Wells, Austin e Miami. Com isso, saiu do top 20 e hoje está apenas entre as 70 do mundo. E mais: demitiu seu treinador e outros integrantes de seu estafe direto. Está claro que seu maior problema é mental, refletindo direto na parte física e técnica. Com certeza, num determinado momento vai superar essa fase, contudo, dificilmente conseguirá retornar pelo menos ao top 20. A falta de confiança já dominou e encerrou muitas carreiras, confirmando uma frase popularizada no meio tenístico de que se trata de “um esporte de louco”, frequentemente usada no contexto da intensidade física e mental.