(Lucas Figueiredo/ CBF) A seleção brasileira segue na sua costumeira instabilidade. Pior do que isso: não desperta interesse por parte do torcedor, cada vez mais distante, insatisfeito e desconfiado. Passada mais uma rodada, o Brasil agora é o quarto colocado das Eliminatórias, com boas chances de classificação, porém, não empolga nem o fã mais fanático. A última rodada das Eliminatórias, no final da semana, novamente foi de frustração para o Brasil. Afinal, apenas empatou com a Venezuela, que sempre foi um adversário fácil, a chamada ‘favas contadas’. É verdade que a seleção brasileira foi superior aos adversários durante praticamente toda a partida, mas não venceu e não convenceu. Teve até um pênalti a seu favor, pessimamente cobrado pelo astro Vinícius Júnior. Sem dúvida, o goleiro teve seus méritos, acertou o lado do chute, porém, como muitos jogadores do Brasil, a estrela do Real Madrid foi até certo ponto displicente. A situação de Vinícius Júnior na seleção brasileira é curiosa: ao contrário do que faz na Espanha, não consegue reeditar suas grandes atuações, mesmo contra adversários teoricamente fracos. Com certeza, ele mesmo está insatisfeito, prova disso, mais uma vez, foi seu comportamento em campo, com sucessivas reclamações ao juiz e implicância com os adversários. Seu nervosismo é visível, com atitudes incompatíveis para um atleta de seu nível técnico. Com 24 anos e longo período no futebol europeu, já deveria ter adquirido experiência e equilíbrio em campo. Intimamente, deve estar sentindo uma grande pressão, pois tem plena consciência de que o Brasil espera que seja o grande protagonista e lidere a seleção em campo. O próximo jogo do Brasil será na terça-feira, contra o Uruguai, vice-líder das Eliminatórias. A partida será disputada em Salvador, onde sempre há uma grande festa e apoio da torcida. No chamado jogo de ida, em Montevidéu, a seleção brasileira perdeu por 2 a 0, em mais uma sofrível atuação. O Uruguai, na sexta-feira, num jogo emocionante, ganhou da Colômbia por 3 a 2. Os dois últimos gols, um para cada seleção, saíram no período de acréscimo, além dos 48 minutos. Mais uma vez, o time jogou bem ao estilo de seu treinador, conhecido como El Loco Bielsa, com uma garra própria da chamada celeste olímpica. Com o resultado, o Uruguai encerrou um jejum de oito jogos sem vitória, afastando uma crise interna e suavizando o ambiente, que estava conturbado desde a longa entrevista de Luizito Suárez, grande ídolo uruguaio, que revelou a existência de um péssimo relacionamento entre os jogadores e Marcelo Bielsa. Sem dúvida, Suárez não exagerou, Bielza tem um temperamento muito forte, é autoritário e excêntrico como poucos. Basta observar com atenção sua postura durante os treinos e jogos, com gritos e gestos teatrais. Vive isolado. Mesmo em Salvador, não será uma partida fácil para o Brasil. Marcelo Bielsa, numa entrevista concedida ontem, exaltou o Brasil, considerando-o até uma equipe bem superior à Colômbia. Deixou claro, contudo, que sua seleção será ofensiva e com perfil protagonista, com um grande objetivo tático: ter a posse de bola o maior tempo possível e atuar no campo brasileiro, de modo a tentar provocar insegurança na zaga brasileira. É claro que tudo isso tem uma grande diferença entre a teoria e a prática. O Brasil com certeza também entrará em campo com disposição para liderar a partida e rapidamente garantir a vitória. Se vencer, assumirá o segundo lugar, atrás apenas da Argentina, que na semana perdeu para o Paraguai por 2 a 1. Desde que assumiu a seleção brasileira, Dorival Júnior já convocou 51 jogadores e poucos estiveram em todas as listas. Desse total, apenas 10 constaram em todas as cinco convocações, a saber: Ederson, Bento, Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Vinícius Júnior, Rodrygo e Savinho. Alguns acabaram cortados, como ocorreu nesta última com Rodrygo, do Real Madrid, que sofreu uma contusão muscular na última rodada do Campeonato Espanhol. Dorival Júnior ainda tem dúvidas em relação às laterais e meio de campo. A cada jogo opta por um atleta diferente, ainda que em alguns casos por suspensão automática. Na essência, Dorival Júnior tem feito um trabalho de renovação gradativa, sem isolar as grandes estrelas. A convocação de Estêvão, do Palmeiras, é mais um exemplo, assim como Endrick, que desta vez não foi chamado. O treinador, porém, precisa ser mais ousado. De nada adianta, por exemplo, colocar a jovem revelação do Palmeiras, já vendida ao Chelsea, da Inglaterra, aos 46 minutos do segundo tempo, como fez contra a Venezuela. Ou fazer o mesmo com Luiz Henrique, do Botafogo. Pela campanha irregular, pela instabilidade do time e pela postura tática, a partida contra o Uruguai será ainda mais decisiva, principalmente para Dorival Júnior. Uma derrota significará no mínimo aumento de pressão. E séria ameaça de perda do cargo.