Um dia após ser medalha de ouro no individual, Beatriz Souza conquista o bronze por equipes em Paris (Alexandre Loureiro/COB) O amigo e grande jornalista Eduardo Silva lançou a provocação para que se buscasse a explicação sobre o grande interesse dos tenistas profissionais em participar dos Jogos Olímpicos. No passado, assim como os grandes gênios do basquete americano, que atuam na NBA, havia um certo descaso por parte das estrelas do tênis. Muitos literalmente ignoraram o evento. Essa escrita só foi quebrada com o famoso Dream Team, que reuniu os melhores profissionais do esporte e conquistou a medalha de ouro em Barcelona-1992 com sucessivos shows. De pronto, porém, com a permissão do simpático amigo, que até tem história no judô e no basquete, impossível não falar inicialmente de Rebeca Andrade e Beatriz Souza, ou simplesmente a Bia do judô, que deu ao Brasil a primeira medalha de ouro no Jogos Olímpicos de Paris-2024. Pelo menos até agora, são as estrelas do Brasil. Bia com a de ouro e Rebeca com duas de prata. Essa última com uma grande atenuante: enfrentou Simone Biles, uma “extraterrestre”, supercampeã, como a incrível romena Nádia Comaneci, hoje com 62 anos, que tirou sete notas 10 na apresentação das barras assimétricas em Montreal-1976 e se tornou a primeira atleta em toda a história a receber nota máxima na ginástica artística. Foram sete jurados. Bia e Rebeca apresentaram também perfis que emocionaram o Brasil, cada uma ao seu estilo. A judoca extravasou sua alegria e orgulho com lágrimas, enquanto a ginasta exibiu também uma simpatia natural, com seu sorriso aberto e contagiante. Nas suas lutas, desde a primeira, Bia demonstrou também confiança de campeã, literalmente intimidando cada adversária no tatame. Em todas as disputas, transmitiu esperança de vitória, com determinação de campeã. Rebeca, por sua vez, em todas as apresentações repetiu a técnica mundialmente conhecida, assustando até Simone Biles, conforme mostraram várias câmeras no ginásio. A americana efetivamente foi espetacular, mereceu a medalha de ouro, mas Rebeca foi um show à parte. Foi a terceira Olimpíada de Rebeca, que na entrevista pós-medalha disse que talvez, na próxima edição dos Jogos, em Los Angeles, em 2028, se dedique apenas a uma modalidade da ginástica, pelo grau de exigência física de cada apresentação. Mas, não importa, ela já entrou para a história, assim com a Bia do judô. As duas proporcionaram grandes momentos e consolidaram a condição de ídolos do Brasil. Agora, voltando ao tênis e tentando atender à provocação do amigo e jornalista, cito que o crescente interesse dos grandes jogadores em participar dos Jogos Olímpicos talvez esteja na busca em conquistar um feito que vai muito além dos grandes torneios que compõem o circuito profissional do esporte. A glória olímpica representa mais do que os prêmios milionários e até mesmo que a importância de torneios como Roland Garros ou Wimbledon. É o máximo para um atleta de alta performance, incluindo-o definitivamente na história do esporte mundial. E tem mais: tenistas como Novak Djokovic buscam sempre a conquista de títulos inéditos. O sérvio, que fará hoje a final contra o espanhol Carlos Alcaraz, quer incluir em sua jornada esportiva o chamado Carreer Golden Slam, além, é óbvio, da medalha de ouro. O Golden Slam se refere aos títulos dos cinco principais torneios do tênis, que são os quatro Slams (Wimbledon, Roland Garros, Australian Open e US Open) e os Jogos Olímpicos. Três já conseguiram isso com títulos de simples em anos diferentes: Rafael Nadal, Serena Williams e André Agassi. A única a ganhar o Golden Slam com a conquista dos cinco títulos no mesmo ano, em 1988, foi Steffi Graf. A alemã hoje, por coincidência, é casada com Agassi. Ainda no tênis, os Jogos Olímpicos de Paris também entrarão para a história por incluir o encerramento da carreira do britânico Andy Murray, um dos integrantes do chamado “Big Four” dos últimos anos, ao lado de Roger Federer, Novak Djokovic e Rafael Nadal. Sem dúvida, uma pena, pois Murray foi um dos grandes tenistas da história do tênis. Depois de conquistar o título de Wimbledon, virou “sir”, devidamente condecorado pela rainha Elizabeth. Após a derrota em Paris, que marcou o fim de sua carreira, nas duplas, para os norte-americanos Taylor Fritz e Tommy Paul, ao lado de Daniel Evans, postou em seu perfil na rede social X a seguinte mensagem: “Eu nunca gostei de tênis mesmo”. Murray é bicampeão olímpico, em Londres, em 2012, e no Rio de Janeiro, em 2016. E ainda ganhou Wimbledon, duas vezes, e o US Open.