[[legacy_image_187520]] Essa pergunta do título mexe profundamente com nossos valores e crenças, pois, intimamente quase todos nós já vivemos este conflito na fantasia, no segredo da alma. Sem fazer apologia de traição ou adultério, o campo da psique admite que os caminhos do coração são indeterminados, envolvendo duas situações fortes e reais: a dos sentimentos e desejos e as convenções sociais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Terapeutas de casais podem assegurar que relacionamentos, mesmo os mais felizes, envolvem muitas razões para sustentá-los. E nem por isso satisfazem todas as necessidades das pessoas. O romantismo nos inspira a admitir apenas uma parceria amorosa, e isso não impede que desejemos outras pessoas. O desejo erótico escapa de nosso controle, mas a escolha do caminho, o comportamento diante do desejo, esse é de nossa escolha e responsabilidade. Entender que o sentimento não é construído, mas, que a relação sim, torna-se fundamental para que -sem hipocrisia- possamos entender o que sentimos, para a partir daí fazermos nossa escolha. A verdade é que não existe ninguém capaz de satisfazer todas as nossas expectativas. Conviver com algumas faltas faz-se mister em qualquer relação que se preze. Saber que sexo, paixão e amor têm movimentos próprios. O esforço criativo para ter-se felicidade é compreender esses movimentos e, com muita intimidade amorosa, dividir isso com o parceiro para equalizar as necessidades sem ferir ou ser ferido. Mas há questões cruciais como ética, respeito e correspondência aos contratos celebrados quando através da paixão, amor, atração e principalmente admiração, escolhemos aqueles com quem desejamos viver a nossa intimidade sexual e afetiva. Dentro desse contexto podemos, sensíveis aos estímulos de Eros, nos deslumbrarmos com outrem que nos inunde de emoção, desejo ou tentação. Nós mesmos, e não a sociedade, delinearemos o caminho a seguir dentro de nosso projeto de vida sem negar a vulnerabilidade aos surtos de paixão que permeiam uma relação duradoura e construída. Se não nos permitíssemos esses surtos, não questionaríamos a validade e o empenho que temos em manter uma relação duradoura, lapidada, e algumas vezes reformada com perdas, e assim dar espaço para renovação e crescimento, ficando submersos pela força estagnada da certeza da exclusividade.