(Pixabay) Na moda por sua taxa elevada, ao redor de 6,3% ao ano, o Tesouro IPCA paga Imposto de Renda – o IR incide apenas sobre a rentabilidade e, como a correção pela inflação vai fazer parte desse ganho, o nível do IPCA interfere no resultado. A analista de investimentos da Nord, Marília Fontes, fez projeções sobre o comportamento do título conforme o índice de preços e realmente o Tesouro IPCA pode ter seu retorno “comido” – mesmo assim o papel não deixa de ser uma grande oportunidade de investimento, ressalta ela. Esse papel tem um ano de vencimento – os atuais são 2027, 2029, 2035 ou 2045 – com o investidor escolhendo um deles conforme seus objetivos. É possível resgatar a qualquer momento, mas se fica sujeito às taxas da hora do saque, perdendo dinheiro ou ganhando muito. Mas quem vai até o fim receberá exatamente o prometido: inflação mais a taxa comprada. Portanto, haverá sempre um ganho real (acima da inflação – o dinheiro fica protegido e ainda há um lucro). Porém, se a inflação for muito alta, haverá IR sobre essa parte maior, o que acaba reduzindo o ganho real, lembrando que a alíquota do IR cai conforme o tempo do investimento (a maior de 22,5% até 180 dias, e a menor de 15% acima de dois anos). Marília projetou um título de 6,35% que venceria em 2025. Se a inflação for de 3%, o ganho real será de 4,96% (após IR sobre inflação e 6,35%). Mas no caso do IPCA atingir 10%, o retorno líquido será de 4,03%. Se o IPCA saltar 50%, haverá um lucrinho real de 0,4%. Mas se o título vencer em 2026 (em dois anos), pagando a mesma taxa de 6,35%, o efeito da inflação será menor. Se o IPCA atingir 3%, o retorno líquido será de 5,01%; se 10%, vai a 4,18%; e a 50%, o ganho atingirá 1,39%. Para um Tesouro IPCA mais longo, de 2035, e com taxa de 6,35%, o investidor ganhará líquidos 5,39% (inflação de 3%), 5,09% (de 10%) e 4,8% (de 50%). Essas projeções mostram a vantagem dos juros sobre juros, diluindo ao longo do tempo o IR sobre a inflação e maximizando a correção pelos 6,35%. Mas há o risco de se expor a um prazo maior, o que no Brasil precisa ser considerado, com muitas crises em uma mesma década. O ponto a favor do Tesouro é o de nunca ter ocorrido calote do governo, mesmo nos traumáticos anos 1980 e 1990 e durante Dilma Rousseff, como lembrou Marília. A Coluna não faz recomendação de investimento. Ela é apenas informativa para o investidor , conforme seu perfil, tomar suas decisões.