Entendendo esse contexto, fica mais fácil optar por renda fixa, ações, Tesouro Direto, criptomoedas e até investir lá fora (Divulgação) Alguns fatores devem ser observados pelos investidores para se guiarem até o fim do ano – se os juros nos EUA vão começar a cair em setembro, se o Trump vai ganhar as eleições em novembro, e se no Brasil o governo vai cumprir a promessa de ser firme com as contas públicas. São fatos que refletiriam nos títulos públicos daqui e dos EUA e no câmbio. Entendendo esse contexto, fica mais fácil optar por renda fixa, ações, Tesouro Direto, criptomoedas e até investir lá fora. Se a inflação americana continuar recuando e o país não crescer muito forte, é esperado que o Federal Reserve (Fed), o BC americano, comece em setembro um ciclo de redução dos juros. Mesmo que o corte seja moderado, os papéis dos EUA começarão a render menos, reduzindo o poder de atração de capitais de todo o mundo. Juros altos nos EUA, por serem de um mercado muito seguro, fazem com que os outros países subam suas taxas para não perderem atratividade. Além disso, essa procura pelos EUA também favorece o dólar, desvalorizando as outras moedas. Portanto, se o Fed passar a cortar os juros, isso pode ser bom para o mundo todo, gerando um sentido contrário a essa lógica atual. A queda dos juros dos EUA ajudaria a Bolsa brasileira. Muitos dólares voltariam ao Brasil para investir nas ações mais líquidas, aquelas que têm maior movimentação diária, como bancos, Petrobras e Vale. Ainda faltaria contar com a queda da taxa Selic. Porém, os economistas preveem que ela vai continuar congelada em 10,5% neste ano, caindo apenas em 2025 para 9,5%. Isso significa que a renda fixa –Tesouro Direto, CDB, LCI, CRI e debêntures não devem perder a atratividade tão cedo. Mas esse alívio nos EUA não automaticamente ajudaria a reduzir os juros dos papéis brasileiros. É preciso que o Governo Lula comprove que será rigoroso com o corte de gastos. Se houver conversa fiada, o mercado vai pressionar por juros mais altos e o dólar não vai perder força. Em caso de eleição de Trump, ele tem programa de governo altamente inflacionário, com repressão a imigrantes (menos consumo) e proteção tarifária (menor concorrência), e pressão para o Fed reduzir os juros. Por isso, há risco de subida das taxas. Juros de empréstimos: pesquise bastante Já fez as contas e não tem como evitar tomar empréstimo? Faça uma pesquisa para encontrar as melhores taxas. Não se acomode apenas com seu bancão (os tradicionais). Compare com juros dos bancos digitais, lembrando que há ofertas em contas com fidelidade ou relacionamento (outros produtos do banco) e veja até se seu app de transporte também empresta. Confira se a sua corretora da Bolsa empresta com taxa baixa com garantia em seus investimentos. Antes de tomar crédito, corte gastos. Ações para aposentadoria No mercado de ações, dá para tentar faturar com a altas no curto prazo, especulando bastante (o que traz muito mais riscos) ou apostar no longo prazo, sem olhar a volatilidade intermediária, aguardando pacientemente o crescimento da empresa da ação. O analista Marcos Saravalle considera que há algumas companhias que servem de poupança previdênciária. São empresas consolidadas e de setores que tendem a resistir às mudanças. Ele aponta duas de papel e celulose, que são Klabin e Irani. Para onde vai o dólar Se quer irritar um economista, pergunte para ele qual foi a última vez que acertou uma previsão sobre o dólar. Daí já dá para entender que o câmbio é um dos ativos mais arriscados. Os analistas do BTG, em live, acham até que a moeda americana poderá perder força, mas não muito no Brasil, até porque o gasto público não deve melhorar rapidamente. Por isso, se vai viajar daqui alguns meses, compre dólar aos poucos, como a cada 15 ou 30 dias, nunca enrolando até próximo da viagem.