(Pixabey) Anote na sua agenda os próximos dias 17 e 18. Nessas datas os comitês tanto do Banco Central quanto o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) vão se reunir para definir as taxas de juros básicas. No caso do Fed, já está sinalizado que será a primeira de uma série de quedas, provavelmente de 0,25 ponto percentual sobre a faixa atual de 5,25% a 5,5% ao ano. No caso do Brasil, é possível haver uma elevação, talvez de 0,25 ou 0,50 ou ainda ficar como está, em 10,5%. Essas duas informações são essenciais para definir uma estratégia de investimento daqui para frente. Se o Fed cortar sua taxa, os treasuries (títulos públicos) ficam menos atraentes e devem estimular uma migração de recursos para mercados mais arriscados, como o do Brasil. Isso deixaria o dólar mais barato e a Bolsa mais vantajosa, assim como toda o segmento variável (ações, fundos imobiliários, moedas, criptomoedas, fundos com todos esses produtos). Mas e se o BC brasileiro subir os juros (taxa Selic)? Quando eles sobem, a Bolsa perde, pois a renda fixa (Tesouro Direto, CDB, poupança, LCI, fundos com esses papéis), mais segura, pagará mais. Porém, a Selic mais alta depende de uma expectativa para os próximos meses, que é o comportamento da inflação. A alta de preços já está quase na meta, cujo teto é de 4,5% ao ano (a inflação anual pelo IPCA não pode passar disso). A rigor a inflação não virou um grande problema, exceto pelos serviços, que têm tendência altista – e é isso que o BC deve tentar corrigir. Isso significa que a Bolsa vai voltar a à míngua? Não necessariamente, pois as empresas em sua maioria tiveram lucros excepcionais, estão reduzindo suas dívidas e investindo na expansão para aproveitar a recuperação da economia. Paralelamente, os gringos estarão mais dispostos a correr riscos, entrando no Brasil para ganhar não só com os juros altos, mas também com companhias boas, mas desvalorizadas. No fim das contas, deve-se ficar sentado esperando os BCs decidirem? Não, porque na renda variável os investidores se antecipam para achar um bom preço antes que ele suba. Isso traz riscos, mas também resulta em um ganho potencialmente maior do que com o comodismo dos juros. Portanto, não estranhe se nos dias seguintes da decisão dos BCs se os mercados não reagirem à altura, pois os investidores poderão ter agido antes, como nestes últimos dias. O susto do mercado com as bets Com pesquisas indicando que a baixa renda está deixando de consumir o básico para apostar nas bets (apostas on-line), executivos do mercado financeiro estão de olho se essa mania vai sugar a capacidade da classe média de investir. E os bancos já devem estar olhando com lupa sobre o risco de emprestar para viciados na jogatina digital. A Comissão de Valores Imobiliários alerta sobre essa febre, avisando que bets são entretenimento e não investimento. Falta conscientizar os apostadores. FI Infra, primo do fundo imobiliário Parecidos com fundos imobiliários, os FI-Infra investem em debêntures incentivadas, papéis que financiam projetos de infraestrutura. O segmento é novo e há apenas 21 deles listados na B3. Para investir, basta digitar o ticker (quatro letras mais número 11) do FI-Infra na plataforma da corretora. As unidades geralmente custam ao redor de R\$ 100, que rendem na conta um valor mensal por volta de R\$ 1 cada. A desvantagem é que a cota pode desvalorizar, mas os dividendos tendem a ser estáveis. Tesouro Direto na mira Com possível alta da Selic, hoje de 10,5%, o Tesouro Direto continua atrativo. Como não há certeza do que será decidido sobre a Selic no dia 18, as taxas têm oscilado, mas ainda em níveis elevados. O Tesouro IPCA paga inflação mais 6% a 6,3% ao ano, a depender do vencimento - que estará garantido apenas para resgate no fim. Mas esse papel não serve para reserva de emergência, como o Tesouro Selic, que rende a Selic e pode ser vendido antes do vencimento, concorrendo com a poupança.