Logística jogando no ataque: o transporte multimodal

Sistema é fruto da convenção das Nações Unidas sobre transporte multimodal internacional de mercadorias

Por: Luis Claudio Santana Montenegro  -  25/11/22  -  06:21
O STS10, no Saboó, é um gargalo preocupante que impõe custos de atrito logístico ao sistema portuário nacional de contêineres
O STS10, no Saboó, é um gargalo preocupante que impõe custos de atrito logístico ao sistema portuário nacional de contêineres   Foto: Sérgio Furtado/Imagens Aéreas

O desenvolvimento da integração da cadeia de transporte, que resultou no que se denomina transporte multimodal, teve seu início com a percepção pelos transportadores marítimos de que era possível oferecer reduções nos fretes ao embarcador (proprietário da carga) ao negociarem grandes volumes de transporte com as etapas pré e pós-embarque no navio.


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O conceito envolvido nessa tendência comercial está relacionado ao conceito de operador logístico porta-a-porta, em que se presta um serviço logístico integrado, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas dos seus clientes, de forma quase que personalizada.


O transporte multimodal no Brasil é fruto da convenção das Nações Unidas sobre transporte multimodal internacional de mercadorias, pasme, de 1980, da qual o Brasil é signatário. Ou seja, já almeja integrações em cadeias logísticas há mais de 40 anos.


Acontece que descontinuidades operacionais criam o que convencionamos chamar de custo de atrito logístico, que há décadas impede o desenvolvimento do transporte multimodal no País.


Basicamente, o custo de atrito logístico existe devido a três níveis de falha na interconectividade da rede logística: (a) falta de capacidade da infraestrutura ou meios de transporte ineficientes; (b) operações com uso inadequado e deficiente da infraestrutura, especialmente nos terminais; (c) serviços e regulação ineficientes.


A mitigação desses custos de atrito logístico passa pelo estabelecimento de políticas públicas de longo prazo, a serem implantadas em um processo contínuo, em uma parceria sólida entre agentes públicos e privados.


O fato mais importante, que deve nortear a formação da política pública setorial, é o entendimento de que a aplicação da integração logística não objetiva o favorecimento de um player específico, mas, sim, a garantia da máxima utilização e desempenho de cada um dos ativos disponíveis na cadeia logística. Ou seja, para lidar com os desafios e finalmente obter os ganhos do transporte multimodal, é urgente abandonar a visão segmentada e adotar uma abordagem sistêmica para enfrentamento do problema.


No cenário atual, em que suplicamos pela retomada do nosso crescimento, é preciso fornecer serviços logísticos competitivos e que possam superar os custos de atrito. Em especial, é preciso enfrentar a ampliação da eficiência; os pontos de transbordo – os terminais portuários – na rede logística precisam ser perfeitamente dimensionados, para impedir qualquer tipo de restrição de capacidade.


Para viabilizar essas oportunidades no Brasil, de uma vez por todas, é essencial que as políticas públicas objetivem a eliminação de todo e qualquer gargalo operacional que possa bloquear a redução dos custos de atrito logístico.


Além disso, há que se promover o desenvolvimento tecnológico e de infraestrutura, concentrando esforços no planejamento e na garantia da utilização plena da capacidade de investimento privado, por meio de parcerias público-privadas (arrendamentos, concessões), saudáveis e essenciais para o desenvolvimento nacional.


Dois ativos públicos importantes estão atualmente em discussão e não podem mais esperar por investimentos: a área do Saboó no Porto de Santos (chamado STS10) e o Porto de Itajaí (SC). Ambos são, atualmente, gargalos preocupantes que impõem custos de atrito logístico ao sistema portuário nacional de contêineres.


O avanço dos processos de outorga desses dois ativos precisa acontecer sob a ótica do conceito de integração logística. Em tempos de futebol, é preciso sair da retranca e partir para o ataque nos investimentos. Só assim superaremos gargalos e seremos vencedores na competição pelo mercado mundial.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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