(Autoridade Portuária de Santos) Antonio Passaro, falecido em 2019 e ex-CEO de um importante terminal em Santos, na década passada, foi um profissional que marcou a vida de muitos que o conheceram. De personalidade forte, Antonio despertava tanto admiração quanto críticas, porém poucos o compreendiam plenamente. No entanto, quase todos concordavam em reconhecer que Antonio era um visionário. Em 2015, ele, em conjunto com outros executivos do Porto, ajudou a idealizar a campanha Santos 17, que pretendia trazer luz à necessidade de se levar a profundidade do Porto a 17 metros, isso já em 2017. Com atuais 15 metros de profundidade, o canal de Santos ainda está longe de alcançar os níveis que Passaro tanto solicitava. Mas, há luz no fundo do mar! A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) agora planejam que o maior Porto da América do Sul tenha não 17 metros, mas 18 metros de profundidade, superando as expectativas iniciais. A notícia é de extrema importância para o País, e os benefícios são muitos, como já veiculado pelo jornal A Tribuna e por esta coluna. Contudo, o diabo mora nos detalhes e é preciso entender se o cais de Santos pode, efetivamente, possuir essa tão almejada profundidade. Muitos estudos foram feitos sobre o assunto. Neles, comprovou-se, por exemplo, que os últimos aprofundamentos realizados não tiveram relação com a erosão ocorrida na Ponta da Praia, em Santos. Em 2021, análises indicaram que os navios grandes chegariam ao Brasil apenas em 2033, o que se provou equivocado, já que alguns deles já escalam portos brasileiros com certa regularidade, levando, porém, menos carga do que poderiam. Alguns profissionais do setor indicam também que os benefícios da maior profundidade vão muito além da carga adicional que os navios poderiam transportar, e estão relacionados a viabilizar Santos como um verdadeiro hub logístico da costa sul-americana. Outros estudos - feitos em 1978, 2010 e 2013 - propuseram que seria necessária a construção de obras de abrigo na entrada do canal de acesso, como, por exemplo, um quebra-mar ou uma estrutura submersa de cerca de 2 km de extensão, na Ponta da Praia, alterando o regime de sedimentação e ondas, tornando a dragagem de manutenção menos frequente e, portanto, menos custosa. Estudo mais recente, feito em 2018, também indicou que chegar próximo a 17 metros de profundidade poderia exigir o reforço de alguns dos cais mais antigos do Porto. Além disso, há quem diga que uma profundidade maior não seria totalmente aproveitada, pois o canal de acesso em Santos não comportaria o tráfego adicional que 17 metros ou 18 metros poderiam proporcionar e que, portanto, outros portos deveriam receber maiores investimentos. O que fica claro é que existem estudos e opiniões diversas, mas nada recente e conclusivo que seja de conhecimento público, do ponto de vista técnico e mercadológico, mostrando que Santos pode e deve, sim, chegar aos 17 metros ou 18 metros de profundidade. Antonio Passaro, Santos e o Brasil merecem saber. *Diretor de Investimentos para Américas na APM Terminals