Fernandão, Cocó, Chico Paioli e Carlinhos, finalistas do 1º Paulista de Surf, em 1967 (Reprodução) Um dos pioneiros do surfe, Eduardo Faggiano, o Cocó, faleceu na quarta-feira, dia 30, aos 73 anos de idade. Personalidade reconhecida e querida, seus amigos lembraram sua amizade e seus feitos. José Paioli, outro pioneiro no surfe vicentino, reverenciou o amigo: “Cocó foi uma das pessoas mais importantes para todos nós. Pioneiro das madeirites, da confecção de pranchas, como shaper e competidor, enfim de um legado importantíssimo para o surfe”. Seu irmão Chico Paioli lembrou que Cocó sempre acompanhou o avanço da tecnologia e o ritmo das transformações. Sérgio Cangiano recordou das inúmeras viagens ao lado do amigo: “De Paraty a Fernando de Noronha como skipper (capitão). Era surfista, idealizou e construiu o primeiro rack para motocicletas. Foi motociclista e teve uma Yamaha RD 300, a viúva negra. Viajamos para o nordeste 9500 km, ida e volta, em duas Hondas CGs 125, em 1977. Fizemos vários surfaris para o sul, passando por São Francisco do Sul, Farol de Santa Marta, percorrendo todo litoral paranaense e catarinense pelas praias”. Jonson, amigo de infância, ressaltou o evolução do surfista: “Convivi com o Cocó desde os 12 anos em São Vicente, onde ele, o pai e o irmão dedicavam-se ao mar. Construímos as primeiras madeirites e ele evoluiu em tudo, da parte técnica à criativa. Sempre cercado dos amigos do Itararé, de Santos e de São Paulo, tratando de forma amável a todos”. Seu primo, Piru, alcançou sua melhor definição: “Cocó foi para o surfe paulista, tal qual foi o Pelé pelo futebol e o Airton Senna para a Fórmula 1”. Beto da Ripwave, um dos grandes mestres na fabricação de pranchas, lembra a qualidade de Cocó como artista: “Competente e versátil. Da fabricação de pranchas a Windsurf, de móveis para loja e para barcos. Da fibra a madeira”. “Um mestre a quem damos sequência a sua obra”, assim disse Delton Menezes. Reinaldo Andraus, o Dragão, também registrou o legado do construtor: “Cocó, como grande shaper que se tornou, foram instrumentais no desenvolvimento do surfe no Estado de São Paulo”. Romeu Andreatta destacou a espiritualidade de Cocó: “Ele foi uma luz, um farol que deu direção para quem queria viver do surfe. Um talentoso shaper e um verdadeiro surfista hedonista nas ondas”. “Ele foi meu pai do surfe. Pioneiro na transição para as pranchas flutuantes. A solução do surfe com precisão”, revelou Guto da Maui Surfboards. Qualidades que o seu sócio na Squalo também destacou: “Ultracriativo na confecção das primeiras madeirites, assim como nos primórdios das pranchas de fibra de vidro”. O mais antigo shaper em atividade concorda com o reconhecimento ao colega: “Grande shaper e pessoa de muita honestidade, e surfista pioneiro na Porta do Sol”. Eduardo Faggiano, o Cocó, nasceu em 24 de janeiro de 1951, em São Paulo. Quando ele tinha apenas 1 ano, a família mudou-se para São Vicente, a uma quadra da praia. Ainda pequeno, Cocó pegava onda de pranchinha nos quebra-cocos que se formavam em dia de ressaca na Praia do Gonzaguinha, em São Vicente. Sua vida começou a mudar aos 13 anos de idade. Em 1964, ele viu numa edição da revista O Cruzeiro a foto de dois surfistas sobre pranchas de madeira na Ponta do Arpoador. Era o anuncio de um esporte que começava a se difundir no Rio de Janeiro. A matéria despertou a curiosidade e o espírito construtivo de Cocó. Era o início de uma trajetória repleta de descobertas e aventuras. Picuruta despediu-se em nome de todos: “Aloha, Cocó! Vá com Deus”. Cocó deixa esse plano para alcançar o surfe espiritual. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal