Pipoca, Paulistinha, Orlando Patriota e Homero: surfe e amizade dentro e fora d’água (Arquivo Pessoal) Alberto João Mariani e sua esposa Elizabetha Zampieri deixaram os tempos difíceis da Itália para viver o sonho de construir a vida juntos no Brasil. Entre tantas oportunidades que criaram, o Estábulo de Cavalos de Corrida prosperou em Santos e em São Paulo. Eles construíram uma grande família. E põe grande nisso! Foram 10 filhos, entre eles Orlando, nascido em 11 de dezembro de 1920. O 6o filho do casal tinha uma forte ligação com o mar, especialmente pela natação. A família Mariani é reconhecida no desporto nacional, tanto que Adalberto Mariani, irmão de Orlando, serviu de inspiração e modelo para o Atleta Náutico Santista, homenagem em estátua situada na Ponta da Praia. Executivo bem sucedido, Orlando casou-se com Wanda Barreto, uma das cinco filhas de um importante funcionário da Alfândega. Da união do casal nasceram Orlando Mariani Filho e Sandra Mariani. Orlando nasceu em 16 de fevereiro de 1954, e desde cedo demonstrou uma paixão pelo mar e pelo surfe. Eram os primeiros anos desse esporte em Santos e no Brasil, e Orlando, movido pelas amizades fraternas, seguiu o surfe como filosofia de vida. Morador no Edifício Tabajara, na Rua Governador Pedro de Toledo, e frequentador da Turma do Canal 3, Orlando, aos 12 anos, descobriu a Surfboards São Conrado, no Rio de Janeiro. As pranchas, fabricadas pelo Coronel Parreiras, tornaram-se famosas em todo Brasil, e Orlando não teve dificuldade ao convencer seu pai a viajar ao Rio e comprar a sonhada prancha de surfe. A aventura também envolveu sua mãe Wanda e assim, num belo dia de 1966, Orlando, sua mãe e seu pai partiram para uma viagem familiar de descobertas. Chegando à fábrica do Coronel, Orlando ficou imediatamente fascinado por uma de suas obras-primas: uma moderna prancha de fibra de vidro estampada com as três cores da pátria: verde, amarelo e azul, e voltou a Santos com ela na bagagem. Sua antiga prancha caixa de fósforo foi vendida ao Elias Manzur, motivado pelo colega de classe a viver a magia do mundo do surfe. Orlando Mariani mal podia esperar para apresentar sua nova prancha aos amigos: Homero, Radecki, Toninho, Braz, Peitinho, Pretinho, Baraldi, entre outros. Iluminado pela harmonia das cores da bandeira brasileira na prancha, os amigos passaram a chamá-lo de Patriota. Orlando Patriota cresceu surfando e estudando, primeiro no Colégio Tarquínio Silva, em Santos, e depois na Faculdade de Engenharia de Taubaté, onde obteve o diploma de Engenheiro Mecânico. Ele morou em república com o colega e companheiro nas ondas, Radecki. Formado, casado com Marisa e pai de Isabela, Orlando trabalhou nas plataformas da Petrobras, em Macaé, no Rio de Janeiro, pela Schlumberger. Foi transferido e assumiu o cargo de chefia no Espírito Santo. A trajetória profissional tinha o México e a França como destinos, mas foi interrompida pelo seu falecimento precoce, aos 32 anos de idade. Sua vida foi breve, mas as memórias e o seu legado permanecem vivos nas mentes e corações daqueles que o conheceram. Eterno Patriota! Contribuição Sandra Mariani, irmã de Patriota. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal