Maurinho Carioca do Canal 3

Maurinho Carioca foi para a Inglaterra estudar, mas nunca se desligou do esporte

Por: Gabriel Pierin  -  08/11/22  -  06:24
Maurinho Carioca foi para a Inglaterra estudar, mas nunca se desligou do esporte
Maurinho Carioca foi para a Inglaterra estudar, mas nunca se desligou do esporte   Foto: Arquivo Pessoal/Lobinho

Mauro Ricci nasceu dia 18 de julho de 1956, em Santos, mas recebeu o apelido de Maurinho Carioca ainda na infância, porque o pai era do Rio, e o irmão mais velho, Marcos, já era o Carioca.


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A história com o surfe começou pela sua vizinhança. Maurinho morava na rua da Paz quase em frente à casa da dona Zélia, mãe de Nando Gouveia, grande surfista da década de 1960. Zélia costurou as primeiras bermudas para o surfe. Era no seu quintal que funcionava a oficina para a construção das pranchas de madeirite. O ritual envolvia o corte e o aquecimento da ponta para fazer curvatura do bico. Com o tempo, apareceram as pranchas feitas de manta de fibra de vidro, permitindo maior flutuação. Foi numa Glaspac que ele aprendeu a surfar. Maurinho dividia a mesma prancha com Nando. Mais velho e habilidoso, Nando assumia a dianteira e colocava o Maurinho de pé na onda. Aos 13 anos, ele ganhou a sua própria Glaspac, desejo de consumo da garotada.


A alegria virou um pesadelo, porque dois dias depois a fibra cedeu e Maurinho precisou esperar o pai que, já separado, vivia no Rio de Janeiro. Waldir Ricci acabou pegando o dinheiro de volta na Glaspac e levou o filho para conhecer o cobiçado Coronel Parreiras, criador da São Conrado Surfboards, primeira fábrica de pranchas do Brasil. A São Conrado de Maurinho foi uma das primeiras a chegar nos mares santistas. Eram apenas duas no Canal 3: a de Maurinho e do Marcio Antônio Ortman, que estampava as iniciais MAO do seu nome.


Com o tempo, as pranchas foram diminuindo. A São Conrado de Maurinho acabou virando matéria-prima para a produção de uma mini model nas mãos dos novos shapers santistas, e o número de surfistas aumentou. Os amigos Helio Cokinho, Marcelo Spinelli, Toninho Carvalho Pinto, Claudio Barbosa, Nei Sobral, Lafraia e os irmãos Elias, Wady e Fuad Mansur sucederam a geração formada por Nando Gouveia, Miguel Sealy, Frigerio, Allan Torrecillas, Gino Sarti e Marcelo Pardal, entre outros. Todos surfavam juntos e dividiam-se apenas nos recém-criados campeonatos de surfe.


A turma do Canal 3 frequentava muito a praia do Itararé, e a amizade dos irmãos Twin se somou a eles. A relação de Carlinhos e Dudu Argento com Maurinho foi muito próxima e ele costumava brincar que foi sócio fundador da marca. O fato era que o pai morava no Rio e Maurinho visitava a cidade com frequência. Os irmãos Twin faziam companhia e também se hospedavam na casa de Waldir. Era na capital carioca que eles compravam as camisetas na rua da Alfândega. As peças ganhavam a estampa e o logo da marca Twin, tornando-a amplamente conhecida em Santos e depois em São Paulo.


Maurinho se afastou do surfe e das praias para terminar seus estudos secundários na Inglaterra. Ele voltou ao Brasil, formou-se em Tradutor e Intérprete pela PUC-SP, mas trabalhou a vida todo como redator publicitário. Sem perder a alma do surfe, um dia tomou uma prancha emprestada no Guarujá e redescobriu-se no surfe. No mesmo dia, encomendou uma Lightning Bolt, outra marca de sucesso, presente no coração dos surfistas.


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