Na primavera de 1971, Yso e seu irmão Sérgio Amsler shapearam um bloco de espuma de poliuretano adquirido junto ao Coronel Parreiras da Surfboards São Conrado. Eles utilizaram ralador de queijo e lixa calafate para dar forma à monoquilha 6’6, modelo Diamond Tail. A prancha rosa, a primeira fabricada na casa da Urca, foi um presente ao amigo Humberto Cesar, o Abacaxi. A logomarca Amsler foi feita em nanquim sobre o papel manteiga. A partir de 1972, com Yso no shape e Sérgio na laminação, a marca passou para Amsler Surfboards Brasil. Nesse mesmo ano, Yso participou do lendário Primeiro Campeonato do Píer de Ipanema, onde sagrou-se vice-campeão. Em janeiro de 1973, em sua primeira viagem de surfe ao Peru, ele conheceu Donny Mailer no Torneio Internacional de Tablas Hawaianas. A surfári seguiu pela Califórnia e depois ao Havaí, onde Donny gerenciava a Surline Hawaii Surfboards. A convite do amigo, Yso shapeou e laminou para a fábrica de pranchas havaiana. No Havaí, Yso surfou Diamond Head, GraveYards, RiceBowl, PublicsReef, AlaMoana, Makaha, MailiPoint e RockyPoint, Mas foi em Suicides que ele passou seu maior perrengue. Na manhã de 10 de junho de 1973, um domingo, Yso remava sua última onda no inside daquele pico, aos pés do vulcão Diamond Head, em Honolulu. Ao realizar uma batida de frontside, Yso, que estava de pé trocado, falseou na conclusão da manobra e a prancha, empurrada pela força da onda, bateu com o bico contra o seu rosto, rasgando o olho esquerdo. Yso foi rebocado pelo amigo Bill até a areia, onde esperou a chegada do pronto-socorro. O som da sirene foi o último que ele escutou antes de desmaiar e passar pela operação. Cego do olho esquerdo, Yso ainda desafiou a mesma direita de Graveyards, a fatídica onda do inside de Suicide, antes de voltar ao Brasil. Com seu plano de vida radicalmente alterado pelo acidente, Yso reabriu a matrícula trancada e voltou ao Brasil para estudar e se formar engenheiro civil na Faculdade Nuno Lisboa, no Rio de Janeiro. Naqueles anos da década de 1970 e 1980, ele, o irmão Sérgio e o primo Ico fabricaram mais de 550 pranchas Amsler. Yso seguiu as competições pelas praias do Rio, nos lendários Campeonatos da Loja Ala Moana no Quebra-mar e em Saquarema, da Loja Magno, da Loja Waimea, do Smirnoff Brasil, os Festivais Brasileiros de Ubatuba e o Façanha Sobrinho, no Guarujá. O irmão Nando fotografava Yso, contribuindo para o aprimoramento das suas manobras. Em 2008, depois de um longo período longe das pranchas, Yso recebeu um inusitado telefonema do campeão mundial e senador pelo Havaí, Fred Hemmings. Quando esteve no Havaí, Yso namorou Heidi, irmã do surfista, e estabeleceu uma amizade com ele. Os dois mantiveram contato e Fred aproveitou sua visita ao Brasil, no histórico Legends de Maresias para deixar seu livro The Soul of Surfing is Hawaiian com Helmo Carvalho aos cuidados de Yso, estendendo o convite para um reencontro no arquipélago havaiano. Em grande estilo, nas ondas dos ancestrais do surfe moderno, o carioca decidiu seu retorno às competições e produção de pranchas. Engenheiro e especialista em controle de projetos, Yso trabalhou como um expatriado pelos quatro cantos do planeta. Começou em missões pela Tailândia, em 1992, e terminou em Shangai, em 2014. Aposentado desde maio de 2015, com 36 anos de trabalho e 63 de idade, Yso aprendeu e se divertiu muito trabalhando na sua especialidade profissional. Em 2019 a morte do inseparável irmão, amigo e companheiro Sérgio, Yso guardou o surfe para sempre no coração e na memória. Hoje, próximo de completar 73 anos, o pai de Olivia e Andre, vive em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, e se dedica aos prazeres da leitura, da caminhada à beira-mar e da boa culinária. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal